Tadeo Sánchez Oller, coautor

Publicado: março 21, 2014 em Uncategorized
Tadeo
Tadeo Sanchez Oller

Tomo licença para me apresentar como coautor e de minha relação de primo irmão do Andrés porém a razão principal que sustenta nossa parceria escrita foram as diversas vivencias compartidas. Sou espanhol todavia dos 4 aos 20 anos morei, cresci e me eduquei em várias escolas de São Paulo período no qual também estudei um ano como interno no Seminário da Imaculada em Campinas, e todo esse aprendizado me credencia também como brasileiro.

No dia 12 de novembro de 1967 meu pai comprou eu titulo me inscrevendo como sócio do clube e em 1973 ao ir morar na Espanha passei o titulo a meu primo Cele e posteriormente voltei a me associar em 2007. Já Andrés foi associado por seu pai quando tinha seis anos de idade no dia 25 de fevereiro de 1969. Por aqueles dias de 1969 obtive meu primeiro emprego, foi nos Diários Associados da Rua 7 de Abril no centro de São Paulo, no gabinete do vice presidente Sr. Napoleão de Carvalho, conservo daquela data uma forte e trágica lembrança, foi quando uma espantosa manhã vi estampada a manchete do Diário da Noite, o mais popular jornal da empresa, a notícia com o acidente mortal dos atletas corinthianos Lidu e Eduardo ocorrido em plena madrugada na Avenida Marginal.

Eduardo, talentoso ponta esquerda vindo do América do Rio e o lateral direito Lidu, meu ídolo procedente da Prudentina, jogador de seleção, como diriam meus saudosos colegas esportivos Antônio Guzman na coluna “20 Noticias”, o candente microfone de Geraldo Bretas, Walter Abrahão na TV Tupi ou ainda a equipe 1040 de Pedro Luiz na Rádio Tupi, todos eles também funcionários dos Associados.

Tal foi minha identificação com Lidu que no domingo seguinte em um jogo no Campo dos Bois, histórico lugar da várzea paulistana no bairro da Mooca, joguei duas partidas sucessivas como lateral direito, 180 minutos, correndo o campo de ponta a ponta, e sem uso de doping foi mesmo alguma inédita energia que gerou minha particular homenagem a Lidu já que habitualmente eu me atrevia a jogar de centroavante.

Nessa fase de torcedor ativo fiquei sem ver o Corinthians ser campeão, longos anos de fila, se bem tanto no Pacaembu como no Morumbi assisti a jogos memoráveis com gols nos últimos minutos e muita vibração com jogadores como Ado, Aldo, Marcial, Lula (goleiro pernambucano), Heitor, Zé Maria, Osvaldo Cunha, Ditão, Almeida, Clovis, Luiz Carlos, Suingue, Dino Sani, Dirceu Alves, Tião, Adãozinho, Paulo Borges, Buião, Flávio, Bene, Mirandinha. Nei, Lance, Silva, Bazani, Tales, Ivair e até o imortal Garrincha, a alegria do povo. com a 7 do Timão e muitos outros.

Roberto Rivellino foi um caso especial pois ainda lembro nitidamente que antes dele ser titular do time eu já ia assistir treinos no Parque São Jorge somente para acompanhar de perto suas evoluções e chegava antes ao Morumbi só para ver o jogo de abertura dos chamados aspirantes em cujo time Rivellino já era estrela.

Em 1970, conquista da Copa, trabalhei com meu avo em Taquaritinga na filial da empresa familiar de industrialização de laranjas denominada Ibéria, no ano seguinte voltei a São Paulo e exerci meu primeiro direito ao voto contribuindo para que a oposição corinthiana com Miguel Martinez derrotasse o então presidente Wadih Helu, cuja gestão era justamente contestada.

Entre os anos 1971 e 72 cai materialmente na estrada com o movimento hippie, passei pelos templos do movimento as dunas de Ipanema, a BR3, Aldeia de Arembepe, Festival de Ouro Preto, de carona em carona, cheguei até Belém onde um truculento delegado com meu documento de estrangeiro em mãos cismou que era falso devido a meu sotaque paulista implicando com meu cabelo e barba, dizia ser um provocador por me considerar muito parecido ao jogador Afonsinho do Botafogo, ídolo da resistência cívica e esportiva na época, fui preso com o grupo com o qual vivia no coreto central da Praça da República.

1972, ficha de Tadeo com cara de Afonsinho
1972, ficha de Tadeo com cara de Afonsinho

Por sorte a truculência física se limitou a socos e fortes palmatórias, nada assinei e nada tinha a confessar, mesmo assim fui transferido para a penitenciária acusado de tráfico de maconha,  por sorte o jornal  “O Liberal”  publicou matéria e foto sobre a detenção e ao quinto dia fui conduzido ante uma Juíza e liberado de imediato sem nenhum cargo, pela estrada tínhamos passado por outras detenções uma delas em João Pessoa o delegado no levou para passar a noite na delegacia dizendo que assim nos protegia e outra em Caxias no Maranhão e Teresina no Piaui neste caso acusados de comunistas  por um capitão que nos deu carona na estrada, mas tudo foi resolvido sem maior importância, mas aquela foi mesmo um duro batismo recém chegado aos 18 anos. A ilegalidade foi tal que fizeram a ficha de entrada e saída simultaneamente.

No ano 1972 embarquei com Andrés, seus pais e irmãos para a Espanha onde permaneci 27 anos, a maior parte do tempo em Barcelona. Participei na luta clandestina contra a ditadura franquista e depois como dirigente da central sindical Comisiones Obreras  – CCOO – havendo sido secretário geral da sua federação de funcionários públicos de Catalunya durante 8 anos e durante a última etapa, secretário de Cooperação Internacional presidindo a Fundació Pau i Solidaritat (Paz e Solidaridade), especializando-me nos projetos de cooperação ao desenvolvimento inclusive muitos deles desenvolvidos no Brasil com a CUT, MST, Movimento Nacional Meninos e Meninas de Rua, Casa Renascer em Natal etc.

Também durante esse período tive como companheiro de militância um primo chamado Tadeo Sánchez Martinez, sendo eu mais jovem, para evitar confusões, passei a ser conhecido com o nome de Teo Sánchez. No campo politico fui militante e membro do Comitê Central do histórico PSUC – Partit Socialista Unificat de Catalunya – e posteriormente da fusão que deu origem a ICV – Iniciativa per Catalunya els Verds -, havendo integrado candidaturas a deputado de ambas as organizações; por lá o sistema é parlamentarista e as eleições em listas fechadas.

Tadeo explica a Lula e Marco Aurélio Garcia a preparar pão com tomate ao estilo catala
Tadeo explica a Lula e Marco Aurélio Garcia a
preparar pão com tomate ao estilo catalán

Assumi por anos uma dupla cidadania política, além de viver quase diariamente uma vida trilíngue entre castelhano, catalão e português. Participei da fundação e militância do Núcleo do PT de Barcelona, acompanhei Lula em suas primeiras visitas como dirigente do PT em Barcelona e Madrid, criando com o mesmo um bom nível de amizade, também acompanhei outros dirigentes do partido, da CUT e dos movimentos sociais porém nunca fui formalmente afiliado ao PT já que só recentemente pude naturalizar-me brasileiro.

Nesses anos de intensa politização quase dava reparo admitir o gosto pelo mundo da bola, convencidos que era assunto de alienados, porém vivi de perto um evento e uma auto-afirmação futebolística que me redimiu de vez em minha atração pelo futebol. Foi em junho de 1994, sendo secretário da ONG catalana Infância Viva, mediei um evento sobre a educação no contexto da pedagogia do oprimido, com o inesquecível mestre e educador Paulo Freire, no salão de eventos da Caixa de Catalunya situado na Plaça Sant Jaume no centro de Barcelona.

Com Paulo Freire em 1994 durante evento em Barcelona
Com Paulo Freire em 1994 durante evento em Barcelona

O evento se iniciou às 20 horas e em suas primeiras palavras Paulo Freire esclareceu que ao final estaria aberto a ouvir e responder todas as perguntas, porém que lhe desculpassem se alguma ficava sem resposta, antes da meia noite teria de estar no hotel já que nesse horário a seleção brasileira se enfrentaria a holandesa na Copa do Mundo disputada nos Estados Unidos, pediu compreensão pois para qualquer brasileiro um jogo da seleção na Copa era muito mais que um acontecimento esportivo. Não houve espaço para dúvidas, mesmo incrédulos o público aceitou, até porque, às 23h30 Paulo Freire se levantou e se foi já com ar de torcedor.

Também me emocionei na minha condição de torcedor politizado com o surgimento da Democracia Corinthiana e sua valiosa colaboração na redemocratização do país. e nova emoção senti quando anos depois meu amigo Sebastião Neto, dirigente da CUT e da oposição metalúrgica de São Paulo, em uma visita a Barcelona me presenteou o livro de Juca Kfouri sobre a paixão de ser corinthiano.

Tive o privilégio de assistir os jogos da Copa de 82 na Espanha vendo jogar meu ídolo Sócrates, já com articulado e valente discurso democrático precursor de suas bandanas reivindicativas usadas no México 86. Estive na festiva tarde que vencemos a potente Argentina do jovem Maradona então recém contratado pelo Barça. E também naquela fatídica tarde no estádio de Sarriá quando Paolo Rossi nos derrotou com três gols calando a perfeita sinfonia percussiva da Banda de Fuzileiros Navais que acompanhava a talentosa evolução no gramado daquela inigualável seleção de artistas da bola.

Acompanhei no tempo e como residente próximo dos triunfais anos dos R brasileiros no Barça, de Romário, Ronaldo, Rivaldo e quando chegou Ronaldinho Gaúcho eu já estava de saída. Pouco antes do ano 2000 voltei ao Brasil assumindo novo desafio, integrar a direção de uma fábrica da empresa familiar Sol Embalagens que estava sendo construída em Camaçari na Bahia. Nessa função permaneci até 2008, nesse período integrei a diretoria da FIEB – Federação de Industrias do Estado da Bahia-, sua Comissão de Responsabilidade Social, Conselho de Educação ao Trabalhador do SESI período em que simultaneamente fui presidente fundador da Associação de Empresas do Poloplast de Camaçari e membro de vários Conselhos Municipais.

E igualmente do ano 2001 a 2008 continuei vinculado ao setor dos projetos de cooperação social presidindo e ativando a ONG da empresa Instituto Sol da qual Andrés foi secretário.  Ao deixar a empresa mantive minha residência pois são fortes meus laços com a Bahia onde vivo com minha companheira Janaina e nossa filha Maria Mariana de seis anos de idade e desde o ano 2009 realizei outro projeto pendente e por três anos administrei o Boteco de Vilas situado em Vilas do Atlântico na cidade de Lauro de Freitas próxima ao aeroporto de Salvador.

Na Espanha tenho mais dois filhos. O mais velho é o Pablo de 35 anos de reconhecido talento em várias vertentes artísticas e atualmente personal trainer de alto rendimento, morou grande parte de sua vida em Paris; sua mãe é a chilena Halime, que ao separar-nos saiu de Barcelona para viver na capital francesa onde residia um irmão e foi reconhecida como exilada política da ditadura de Pinochet, direito que na Espanha da época era ainda impensável, Pablo já na fase adulta também residiu por dois anos em São Paulo na casa de Andrés trabalhando no Ceasa, porém passado esse tempo decidiu voltar para a Espanha.

David, meu filho menor, mora em Castelldefells, cidade da área metropolitana de Barcelona, sua mãe é catalana se chama Inma, está dedicado ao futebol, aos 25 anos se formou como treinador de equipes juvenis sendo atualmente coordenador técnico das categorias de base da Unió Esportiva de Sant Joan Despi, situada na cidade do mesmo nome e cujas instalações são vizinhas da Cidade Esportiva do Barça onde recentemente treinou a seleção brasileira o que facilitou que David mantivesse uma entrevista jornalística com Mano Menezes.

No país do futebol, é difícil supor que as pessoas publicamente relacionadas ao esporte tenham uma vida além da bola, mas como um dia ouvi do jornalista Milton Neves “no Brasil, o futebol é a coisa mais importante dentre as menos importantes”, até mesmo uma paixão com a intensidade da nação corinthiana não deve esgotar as pessoas, elas devem ter outra atividade as quais se dedicar por isso o livro traz diversas informações sobre Andrés e sua vida empenhada em muitas frentes, sendo o futebol a de maior relevância pública e provocadora de curiosidades por saber de quem se trata e de onde vem.

Lula com os co-autores do livro
Lula com os coautores do livro

A quem pede que avalie sua gestão, partindo do fato que no cargo que ocupou faça o que faça sempre haverá polemicas e opiniões contrapostas, considero que o melhor método é quantificar as metas alcançadas e nessa operação para mim são positivos os resultados de seu mandato e a comparação entre herança recebida e legado que transfere é uma goleada de convincentes argumentos a seu favor.

No inicio do mandato até, pela experiência na matéria, participei da elaboração do “Programa de Responsabilidade Social do Corinthians”, apoiando eventos com a Cooperativa Craques de Sempre e propostas para fortalecer o conteúdo social das escolas Chute Inicial. Nessa breve passagem colaborei com minha amiga Marlene Matheus então diretora social. Depois tempo e distância, impediu manter qualquer dedicação se bem como corinthiano acompanhei sua gestão e hoje ao participar da redação do livro reconheço ter sido oportuno ao contribuir a que conheçam um pouco mais sobre a pessoa Andrés, amigo e irmão sempre disposto para o que der e vier.

Nota:    Em novembro de 2012 obtive de direito o que já tinha de fato, o reconhecimento como cidadão brasileiro sem com isso perder minha cidadania hispana. Também em novembro de 2012, eu e Janaina, fomos pais de mais uma filha nossa pequena Ana Carolina.

Badeco, Andrés. Basilio, Tadeo e Coutinho durante evento com a Cooperativa Craques de Sempre
Badeco, Andrés, Basilio, Tadeo e Coutinho durante evento
no Parque São Jorge
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