Pais & filhos

Publicado: março 20, 2014 em Uncategorized
Boda de ouro de meus pais

Bodas de ouro de meus pais

Meus pais

Meus pais Seu Gregorio e Dona Pepa são naturais das cidades de Oria e Albox na provincia de Almeria região de Andaluzia no sul da Espanha, nasceram e cresceram a uma distancia menor de 100 km em suas respectivas cidades e vieram se conhecer já adultos no Brasil onde se casaram no ano 1961 em Limeira onde morava minha mãe, porém ao dia seguinte a lua de mel foi de trabalho em Ouro Fino onde meu pai era sócio, junto com o amigo espanhol Fernando, de uma granja agricola e depois de um açougue.

Foram fiéis as tradições da familia e sua primeira filha se chamou Ginesa como a mãe por parte paterna, o seguinte filho fui eu e me colocaram o nome de Andrés como meu avô paterno, a continuação Tadeo homenageando a porção materna e poderia até completar toda a gama com a nova filha, mas em vez de Hermínia como a avó, acabou recebendo o nome de Andréa, sinal de que a familia, mesmo mantendo fortes raizes, em alguns aspectos culturais se integrava plenamente aos hábitos e costumes locais.

Dona Pepa, minha mãe

Minha mãe, dona Pepa, sempre foi dotada de invejável fortaleza física, um dia começou a reclamar de dores de cabeça, pensamos ser coisas da idade e era comum na família esses males, mas de repente dizia que andava com problemas de visão, andou por várias consultas médicas mas o processo era irreversível e continuou com perda parcial até que a vista se foi de vez.

A situação provoca profunda tristeza mesmo conservando intacta sua saúde e até parece ainda mais lúcida reclamando que agora já em idade avançada tenha de aprender a viver de outro jeito e fazer coisas novas, manifesta tristeza ao ter já os filhos criados e não poder acompanhar visualmente o crescimento dos netos.

Igualmente lhe dói por ter sido muito autônoma em sua vida e agora comece a depender de meu pai para quase tudo, propensos a buscar consolo podemos dizer que continua firme, forte e com muito humor. Sei que é uma pessoa admirável mesmo com a vida tão mutante Espanha, Limeira e São Paulo foi capaz de fazer frente e continua com sua infinita força, aliás como todas as pessoas que ficam deficiente em um de seus sentidos os restantes se desenvolvem e multiplicam sua eficiência, minha mãe acho que deu energia para todos os outros sentidos.

Ela nunca foi uma super mãe protetora que anulasse os filhos mas nos surpreendia ao saber de nossas coisas e nos respondia que um passarinho que tudo via e ouvia lhe contava, com seu apurado humor outro dia fui em busca de fotos dela para o livro e com toda a calma e praticidade do mundo disse que distribuíra todas pois ao não enxergar para que vai guardar mesmo que sejam um pedaço único de sua história.

Seu Gregório, meu pai

Em meu pai sempre apreciei sua paciência, a perseverança do esforço para aprender e fazer as coisas. A melhor definição que tenho dele é de “papai sabe tudo” em sua justa medida e que tira de letra os que desconhecem sua sabedoria, além de sempre ter sido um honrado trabalhador.Agora reuniu os filhos e comunicou que não nos preocupássemos mais da conta que ele tinha força e disposição para atender permanentemente minha mãe com tudo o que fosse necessário. Uma vez mais meu pai nos deu exemplo de dedicação solidária e integridade.

Meus irmãos

Com minha irmã Ginesa e o cachorrinho Peque

Minha Irmã mais velha se chama Ginesa que se pronúncia Rinessa, nome em homenagem a minha avó paterna, sendo essa a nossa primeira coincidência, igual a mim, deve ter passado a vida tentando corrigir a pronuncia ou a escrita de seu nome, dado que é de evidente singularidade entre os nomes utilizados no Brasil, no meu caso esclarecendo que terminava em s já que era de origem espanhola.

Pode parecer bobagem, mas quem já passou por isso sabe o que significa em plena sala de aula se levantar e corrigir o professor ao fazer a chamada, a tentação é de deixar pra lá, mas algo no interior obriga a levantar a mão e esclarecer, é como se os antepassados estivessem exigindo e não se pode trair essa demanda ancestral. Um difícil ato de afirmação pessoal que levantava simpatias e animosidades entre os colegas, uns pensando é isso ai tem mesmo de se impor e defender o nome correto e outros pensando que presunçoso quem ele pensa que é para dar tanta importância ao nome.

Vitória, Ginesa, Gabriela e Lara

E ela faz jus a tudo isso, desde pequena, firme e forte em suas convicções, as defendia com valentia, foi a primeira da família a terminar seus estudos universitários, por um tempo trabalhou em São Paulo como funcionária da Varig aproveitando ainda bem jovem para dar a volta a meio mundo depois foi recepcionista promovida a relações públicas no elegante Up & Dow da 9 de julho e posteriormente assistente de eventos na Sala Palladium situada no Shopping Eldorado, mudou de emprego e deu a volta a meio mundo como funcionária da Varig. Ainda com a filha Gabriela em sua mais terna infância mudou de cidade, foi primeiro para Vitória e de lá para Salvador, e continuou exercendo sua independência, em ambas cidades dirigiu lojas de plásticos no Ceasa, pondo a prova sua personalidade pois são âmbitos de forte machismo.

Em Salvador se casou com Cris e anos depois se separou, tiveram duas preciosas filhas Vitoria e Lara. Agora por essas voltas que proporciona a vida e pelas dificuldades de empregos estáveis emigrou com as duas filhas menores para a região de Galicia na Espanha e por lá com certeza adotara novas iniciativas de trabalho e de vida superando as barreiras culturais que encontre em seu novo lugar de residência e por aqui permanece sua filha Gabriela estudando psicologia na PUC de São Paulo.

Fotos para passaporte com meu irmãozinho Tadeo

E se meus avós paternos foram Andrés e Ginesa era tradição que o irmão que me segue fosse um Tadeo ao ser o nome de meu avô materno e assim foi, também ele deve ter tido essa necessidade de se pronunciar logo cedo em sua defesa nominal pois termina em “o” como é regra em castelhano e no Brasil a regra é a terminação em “u”.Nada fácil, pois coincide com São Judas Tadeu o santo das causas impossíveis, sem querer esta família tão chegada historicamente à igreja, protagonizou ao vir ao Brasil uma mudança ortográfica corrigindo o nome de um dos santos mais aliás na religiosidade meu irmão manteve tradição e mesmo não sendo católico abraçou com firmeza a religião espírita sendo seguidor de Alan Kardec, principalmente em sua virtude de fazer o bem sem olhar a quem.

Meu irmão é uma pessoa muito parecida com minha mãe na firmeza de seus atos e se completa com a fração do pai sendo discreto em sua perseverança, sobressai por que anda pela vida abrindo portas para ele e para os que estão ao lado ou vem atrás.

Deborinha, Márcia, Teresa e Tadeo

Desde cedo ganha a vida trabalhando no comércio que é um ramo de forte competitividade e às vezes feroz em seus relacionamentos, mesmo assim ele por onde anda só faz amigos mesmo entre os implacáveis concorrentes, alguns podem até não querer ser amigos mas por mais que insistam é impossível achar motivos para ser inimigos.

Casado com Márcia, uma cunhada muito ativa e também competente trabalhadora e companheira, tendo como filhas a brilhante esportista e estudante, oradora de muito conteúdo e palavra minha sobrinha Deborinha e a filha menor que também com certeza motivos ainda dará para manter a continuidade admirativa a minha pequena Teresa.

Com minha irmã Andréa

Minha irmã caçula já veio ao mundo rompendo moldes, chegou quando a mãe já superava os 40 anos com diferença de 9 anos do filho anterior, ou seja, chegou como quem diz sem avisar e impondo normas pois em vez de Hermínia como a avó materna se chamou Andréa. Essa irmã recuperou o gosto pelos estudos interrompidos pelos homens da família, se formou em fisioterapia e ao mesmo tempo em que exercia no prestigioso e exigente Hospital Albert Einstein dava aulas na Uniban e, deve ter herdado a porção de maga da mãe.

Ainda achava tempo para dar tratamentos em sessões particulares, para seguir estudando e aprimorando e até para namorar e casar; eu sempre tive muita curiosidade por saber onde achava energia para tanto, e se engana quem pensa que se trata de uma pessoa estressada, mesmo com tantos afazeres é um doce no trato e sempre disposta para alguma nova iniciativa.

Digo isso não por que tenha ouvido falar, mas sim por que durante um tempo Andréa viveu comigo e sei como se multiplicava em sua vida diária e ainda achava tempo para colocar ordem em meu desordenado apartamento e ainda me servia de orientadora na hora de comprar presentes por seu refinado bom gosto.

Andréa, Mauricio, Theo e Luiza

Casada com Mauricio, competente doutor ortopédico com consultório também no Hospital A. Einstein, comunicativo e muito espirituoso cujo único defeito é que veio somar a fração palmeirense da família, de resto excelente pessoa, já são pais de dois filhos, pequeninos ainda mas com todo o futuro pela frente, Theo e Luísa.

Mesmo tão pequenos não impedem que seus pais mantenham o bom costume de sair viajando pelo mundo algo que serve de ótimo passatempo e só faz crescer e influir em suas experiências culturais. Também deixo aqui patente meu reconhecimento pelo talentoso mestre cuca que é meu cunhado mantendo assim a tradição da boa cozinha italiana que é de onde ele procede.

Minha companheira

Com Dete

Começo por reconhecer minha incapacidade em organizar meu tempo para esposa e filhos, foram muitas ausências. Assumo até com forte autocrítica e mea culpa em minha exagerada militância para com o Corinthians que consumia tempo livre e até não livre; somados as muitas vezes minha falta de tato e paciência em saber tratar com crianças, o que tentei compensar procurando dar o carinho e presença intensa em horas imprescindíveis.

Minha ex esposa Dete, amiga e companheira de tantos anos e exemplar educadora de nossos filhos, com todos nossos acertos e desacertos são os filhos a nossa razão maior de viver e de lutar sempre por melhores condições para que eles possam usufruir também sem exageros nem ostentações na medida certa e coerentes com suas idades e os meios onde se movem.

Dete foi quase como amor a primeira vista, moleques ainda na escola já houve esse sentimento, foram anos de namoro imperfeito por nossa idade, sempre com altos e baixos, mas sempre presentes, além disso mesmo sendo ela de uma tradicional família portuguesa, o Corinthians, o samba, a identificação com a Vila dos Remédios, a adoção do Rio como nova identidade, tudo isso nos uniu muito e já casados essa unidade teve de se fortalecer pois nada foi fácil na hora de ir abrindo caminhos.

Show da virada com Dete, Lucas e Marina

Meus filhos

No Rio em 1992 nasceu nosso filho a quem com certeza transmitimos essa boa relação com a cidade que em um descuido meu e influenciado pelos inseparáveis amigos Marcus André e Pedro, aos três anos dizia de alto e bom som que era Flamengo, eu até fiquei temeroso, pois sabia da sentença de que uma vez Flamengo sempre Flamengo, isso é verdade e admiro muito, mas também sabia que a força do Timão era imparável e tudo era questão de tempo nessa fase de torcedor mirim.
Anos dourados Lucas e Marcus André
E assim novamente por razões de trabalho viemos de volta a São Paulo e Lucas se desenvolveu como perfeito paulistano sem problemas para com a cidade e suas culturas, e acabou abraçando a causa corinthiana, acho que até com mais força que eu já que foi capaz de se integrar de forma mais consciente pela sua aproximação precoce as emoções de outras bandeiras, sua relação com a aventura e o esporte começou cedo demais, grávida de cinco meses sua mãe me acompanhou aos Jogos Olímpicos de Barcelona e Exposição Universal em Sevilla.
Lucas em ação

Sei que Lucas é muito bom de bola e talvez por temor ao fantasma do nepotismo eu tenha condicionado sua carreira. Lembro até da última vez que o vi jogando durante o navio do centenário quando na parada em Ilhabela houve uma partida com a equipe local e a turma do navio, Lucas destacou e fez belos gols. Mas como todos os garotos de sua idade o grande dilema é era como conseguir compaginar a bola e os estudos. Disseram-me, não sei se somente por me provocar, que Lucas chegou a receber uma proposta para ir treinar no Santos.

Sei que é muito bom menino, camarada e cheio de bons sentimentos e agora sem o horizonte da bola seja lá qual for a sua opção profissional sei que se dará bem por sua inteligência e força de vontade.

Com Marina em sua festa de 5 anos

Minha filha Marina nasceu em São Paulo no ano 1996 e viveu sempre na cidade por isso fica ainda mais fácil sua identificação como paulistana, sendo muito pequenina sei que teve tentação por se fazer torcedora do São Paulo, influencia da excelente babá Gilene que por certo até hoje trabalha com sua mãe sendo de fato uma componente a mais na família, Marina hoje é uma corinthiana de muita paixão quase sempre presente nos jogos, vibra muito, não se cala.

Antes não admitia críticas ao pai e se preciso enfrentava brigas, agora já compreendeu que as críticas fazem parte da democracia e também recebê-las e saber assumi-las é parte da função presidencial.Desde bem pequena Marina já escolherá uma possível profissão para quando fosse maior, tem verdadeira paixão por seguir a carreira de atriz, motivo pelo qual desde os 4 anos de idade participa das aulas de teatro na Casa do Teatro e a cada temporada percebo como se supera já que acompanho as funções que os alunos realizam.

Com Marina
Também com inclinação pelo esporte, Marina é uma exímia jogadora de handebol acho que até em nível de alto rendimento, pena que seja um esporte de minorias, fiquei igualmente sabendo que chegaram a lhe ofereceram ir treinar no São Paulo. Também é excelente capoeirista, e igual que o irmão, tem uma enorme capacidade para se relacionar com as pessoas e fazer muitos amigos, o que por certo não poucas vezes, acho que algo humano e natural, acaba criando a sensação de ciúmes em mim e talvez isso também afaste algum de seus amigos já que, como sempre, aparento ser muito mais bravo do que na realidade sou

Aquecimento para roda de capoeira na Escola da Vila

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