Tadeo Sánchez Oller, coautor

Publicado: março 21, 2014 em Uncategorized
Tadeo
Tadeo Sanchez Oller

Tomo licença para me apresentar como coautor e de minha relação de primo irmão do Andrés porém a razão principal que sustenta nossa parceria escrita foram as diversas vivencias compartidas. Sou espanhol todavia dos 4 aos 20 anos morei, cresci e me eduquei em várias escolas de São Paulo período no qual também estudei um ano como interno no Seminário da Imaculada em Campinas, e todo esse aprendizado me credencia também como brasileiro.

No dia 12 de novembro de 1967 meu pai comprou eu titulo me inscrevendo como sócio do clube e em 1973 ao ir morar na Espanha passei o titulo a meu primo Cele e posteriormente voltei a me associar em 2007. Já Andrés foi associado por seu pai quando tinha seis anos de idade no dia 25 de fevereiro de 1969. Por aqueles dias de 1969 obtive meu primeiro emprego, foi nos Diários Associados da Rua 7 de Abril no centro de São Paulo, no gabinete do vice presidente Sr. Napoleão de Carvalho, conservo daquela data uma forte e trágica lembrança, foi quando uma espantosa manhã vi estampada a manchete do Diário da Noite, o mais popular jornal da empresa, a notícia com o acidente mortal dos atletas corinthianos Lidu e Eduardo ocorrido em plena madrugada na Avenida Marginal.

Eduardo, talentoso ponta esquerda vindo do América do Rio e o lateral direito Lidu, meu ídolo procedente da Prudentina, jogador de seleção, como diriam meus saudosos colegas esportivos Antônio Guzman na coluna “20 Noticias”, o candente microfone de Geraldo Bretas, Walter Abrahão na TV Tupi ou ainda a equipe 1040 de Pedro Luiz na Rádio Tupi, todos eles também funcionários dos Associados.

Tal foi minha identificação com Lidu que no domingo seguinte em um jogo no Campo dos Bois, histórico lugar da várzea paulistana no bairro da Mooca, joguei duas partidas sucessivas como lateral direito, 180 minutos, correndo o campo de ponta a ponta, e sem uso de doping foi mesmo alguma inédita energia que gerou minha particular homenagem a Lidu já que habitualmente eu me atrevia a jogar de centroavante.

Nessa fase de torcedor ativo fiquei sem ver o Corinthians ser campeão, longos anos de fila, se bem tanto no Pacaembu como no Morumbi assisti a jogos memoráveis com gols nos últimos minutos e muita vibração com jogadores como Ado, Aldo, Marcial, Lula (goleiro pernambucano), Heitor, Zé Maria, Osvaldo Cunha, Ditão, Almeida, Clovis, Luiz Carlos, Suingue, Dino Sani, Dirceu Alves, Tião, Adãozinho, Paulo Borges, Buião, Flávio, Bene, Mirandinha. Nei, Lance, Silva, Bazani, Tales, Ivair e até o imortal Garrincha, a alegria do povo. com a 7 do Timão e muitos outros.

Roberto Rivellino foi um caso especial pois ainda lembro nitidamente que antes dele ser titular do time eu já ia assistir treinos no Parque São Jorge somente para acompanhar de perto suas evoluções e chegava antes ao Morumbi só para ver o jogo de abertura dos chamados aspirantes em cujo time Rivellino já era estrela.

Em 1970, conquista da Copa, trabalhei com meu avo em Taquaritinga na filial da empresa familiar de industrialização de laranjas denominada Ibéria, no ano seguinte voltei a São Paulo e exerci meu primeiro direito ao voto contribuindo para que a oposição corinthiana com Miguel Martinez derrotasse o então presidente Wadih Helu, cuja gestão era justamente contestada.

Entre os anos 1971 e 72 cai materialmente na estrada com o movimento hippie, passei pelos templos do movimento as dunas de Ipanema, a BR3, Aldeia de Arembepe, Festival de Ouro Preto, de carona em carona, cheguei até Belém onde um truculento delegado com meu documento de estrangeiro em mãos cismou que era falso devido a meu sotaque paulista implicando com meu cabelo e barba, dizia ser um provocador por me considerar muito parecido ao jogador Afonsinho do Botafogo, ídolo da resistência cívica e esportiva na época, fui preso com o grupo com o qual vivia no coreto central da Praça da República.

1972, ficha de Tadeo com cara de Afonsinho
1972, ficha de Tadeo com cara de Afonsinho

Por sorte a truculência física se limitou a socos e fortes palmatórias, nada assinei e nada tinha a confessar, mesmo assim fui transferido para a penitenciária acusado de tráfico de maconha,  por sorte o jornal  “O Liberal”  publicou matéria e foto sobre a detenção e ao quinto dia fui conduzido ante uma Juíza e liberado de imediato sem nenhum cargo, pela estrada tínhamos passado por outras detenções uma delas em João Pessoa o delegado no levou para passar a noite na delegacia dizendo que assim nos protegia e outra em Caxias no Maranhão e Teresina no Piaui neste caso acusados de comunistas  por um capitão que nos deu carona na estrada, mas tudo foi resolvido sem maior importância, mas aquela foi mesmo um duro batismo recém chegado aos 18 anos. A ilegalidade foi tal que fizeram a ficha de entrada e saída simultaneamente.

No ano 1972 embarquei com Andrés, seus pais e irmãos para a Espanha onde permaneci 27 anos, a maior parte do tempo em Barcelona. Participei na luta clandestina contra a ditadura franquista e depois como dirigente da central sindical Comisiones Obreras  – CCOO – havendo sido secretário geral da sua federação de funcionários públicos de Catalunya durante 8 anos e durante a última etapa, secretário de Cooperação Internacional presidindo a Fundació Pau i Solidaritat (Paz e Solidaridade), especializando-me nos projetos de cooperação ao desenvolvimento inclusive muitos deles desenvolvidos no Brasil com a CUT, MST, Movimento Nacional Meninos e Meninas de Rua, Casa Renascer em Natal etc.

Também durante esse período tive como companheiro de militância um primo chamado Tadeo Sánchez Martinez, sendo eu mais jovem, para evitar confusões, passei a ser conhecido com o nome de Teo Sánchez. No campo politico fui militante e membro do Comitê Central do histórico PSUC – Partit Socialista Unificat de Catalunya – e posteriormente da fusão que deu origem a ICV – Iniciativa per Catalunya els Verds -, havendo integrado candidaturas a deputado de ambas as organizações; por lá o sistema é parlamentarista e as eleições em listas fechadas.

Tadeo explica a Lula e Marco Aurélio Garcia a preparar pão com tomate ao estilo catala
Tadeo explica a Lula e Marco Aurélio Garcia a
preparar pão com tomate ao estilo catalán

Assumi por anos uma dupla cidadania política, além de viver quase diariamente uma vida trilíngue entre castelhano, catalão e português. Participei da fundação e militância do Núcleo do PT de Barcelona, acompanhei Lula em suas primeiras visitas como dirigente do PT em Barcelona e Madrid, criando com o mesmo um bom nível de amizade, também acompanhei outros dirigentes do partido, da CUT e dos movimentos sociais porém nunca fui formalmente afiliado ao PT já que só recentemente pude naturalizar-me brasileiro.

Nesses anos de intensa politização quase dava reparo admitir o gosto pelo mundo da bola, convencidos que era assunto de alienados, porém vivi de perto um evento e uma auto-afirmação futebolística que me redimiu de vez em minha atração pelo futebol. Foi em junho de 1994, sendo secretário da ONG catalana Infância Viva, mediei um evento sobre a educação no contexto da pedagogia do oprimido, com o inesquecível mestre e educador Paulo Freire, no salão de eventos da Caixa de Catalunya situado na Plaça Sant Jaume no centro de Barcelona.

Com Paulo Freire em 1994 durante evento em Barcelona
Com Paulo Freire em 1994 durante evento em Barcelona

O evento se iniciou às 20 horas e em suas primeiras palavras Paulo Freire esclareceu que ao final estaria aberto a ouvir e responder todas as perguntas, porém que lhe desculpassem se alguma ficava sem resposta, antes da meia noite teria de estar no hotel já que nesse horário a seleção brasileira se enfrentaria a holandesa na Copa do Mundo disputada nos Estados Unidos, pediu compreensão pois para qualquer brasileiro um jogo da seleção na Copa era muito mais que um acontecimento esportivo. Não houve espaço para dúvidas, mesmo incrédulos o público aceitou, até porque, às 23h30 Paulo Freire se levantou e se foi já com ar de torcedor.

Também me emocionei na minha condição de torcedor politizado com o surgimento da Democracia Corinthiana e sua valiosa colaboração na redemocratização do país. e nova emoção senti quando anos depois meu amigo Sebastião Neto, dirigente da CUT e da oposição metalúrgica de São Paulo, em uma visita a Barcelona me presenteou o livro de Juca Kfouri sobre a paixão de ser corinthiano.

Tive o privilégio de assistir os jogos da Copa de 82 na Espanha vendo jogar meu ídolo Sócrates, já com articulado e valente discurso democrático precursor de suas bandanas reivindicativas usadas no México 86. Estive na festiva tarde que vencemos a potente Argentina do jovem Maradona então recém contratado pelo Barça. E também naquela fatídica tarde no estádio de Sarriá quando Paolo Rossi nos derrotou com três gols calando a perfeita sinfonia percussiva da Banda de Fuzileiros Navais que acompanhava a talentosa evolução no gramado daquela inigualável seleção de artistas da bola.

Acompanhei no tempo e como residente próximo dos triunfais anos dos R brasileiros no Barça, de Romário, Ronaldo, Rivaldo e quando chegou Ronaldinho Gaúcho eu já estava de saída. Pouco antes do ano 2000 voltei ao Brasil assumindo novo desafio, integrar a direção de uma fábrica da empresa familiar Sol Embalagens que estava sendo construída em Camaçari na Bahia. Nessa função permaneci até 2008, nesse período integrei a diretoria da FIEB – Federação de Industrias do Estado da Bahia-, sua Comissão de Responsabilidade Social, Conselho de Educação ao Trabalhador do SESI período em que simultaneamente fui presidente fundador da Associação de Empresas do Poloplast de Camaçari e membro de vários Conselhos Municipais.

E igualmente do ano 2001 a 2008 continuei vinculado ao setor dos projetos de cooperação social presidindo e ativando a ONG da empresa Instituto Sol da qual Andrés foi secretário.  Ao deixar a empresa mantive minha residência pois são fortes meus laços com a Bahia onde vivo com minha companheira Janaina e nossa filha Maria Mariana de seis anos de idade e desde o ano 2009 realizei outro projeto pendente e por três anos administrei o Boteco de Vilas situado em Vilas do Atlântico na cidade de Lauro de Freitas próxima ao aeroporto de Salvador.

Na Espanha tenho mais dois filhos. O mais velho é o Pablo de 35 anos de reconhecido talento em várias vertentes artísticas e atualmente personal trainer de alto rendimento, morou grande parte de sua vida em Paris; sua mãe é a chilena Halime, que ao separar-nos saiu de Barcelona para viver na capital francesa onde residia um irmão e foi reconhecida como exilada política da ditadura de Pinochet, direito que na Espanha da época era ainda impensável, Pablo já na fase adulta também residiu por dois anos em São Paulo na casa de Andrés trabalhando no Ceasa, porém passado esse tempo decidiu voltar para a Espanha.

David, meu filho menor, mora em Castelldefells, cidade da área metropolitana de Barcelona, sua mãe é catalana se chama Inma, está dedicado ao futebol, aos 25 anos se formou como treinador de equipes juvenis sendo atualmente coordenador técnico das categorias de base da Unió Esportiva de Sant Joan Despi, situada na cidade do mesmo nome e cujas instalações são vizinhas da Cidade Esportiva do Barça onde recentemente treinou a seleção brasileira o que facilitou que David mantivesse uma entrevista jornalística com Mano Menezes.

No país do futebol, é difícil supor que as pessoas publicamente relacionadas ao esporte tenham uma vida além da bola, mas como um dia ouvi do jornalista Milton Neves “no Brasil, o futebol é a coisa mais importante dentre as menos importantes”, até mesmo uma paixão com a intensidade da nação corinthiana não deve esgotar as pessoas, elas devem ter outra atividade as quais se dedicar por isso o livro traz diversas informações sobre Andrés e sua vida empenhada em muitas frentes, sendo o futebol a de maior relevância pública e provocadora de curiosidades por saber de quem se trata e de onde vem.

Lula com os co-autores do livro
Lula com os coautores do livro

A quem pede que avalie sua gestão, partindo do fato que no cargo que ocupou faça o que faça sempre haverá polemicas e opiniões contrapostas, considero que o melhor método é quantificar as metas alcançadas e nessa operação para mim são positivos os resultados de seu mandato e a comparação entre herança recebida e legado que transfere é uma goleada de convincentes argumentos a seu favor.

No inicio do mandato até, pela experiência na matéria, participei da elaboração do “Programa de Responsabilidade Social do Corinthians”, apoiando eventos com a Cooperativa Craques de Sempre e propostas para fortalecer o conteúdo social das escolas Chute Inicial. Nessa breve passagem colaborei com minha amiga Marlene Matheus então diretora social. Depois tempo e distância, impediu manter qualquer dedicação se bem como corinthiano acompanhei sua gestão e hoje ao participar da redação do livro reconheço ter sido oportuno ao contribuir a que conheçam um pouco mais sobre a pessoa Andrés, amigo e irmão sempre disposto para o que der e vier.

Nota:    Em novembro de 2012 obtive de direito o que já tinha de fato, o reconhecimento como cidadão brasileiro sem com isso perder minha cidadania hispana. Também em novembro de 2012, eu e Janaina, fomos pais de mais uma filha nossa pequena Ana Carolina.

Badeco, Andrés. Basilio, Tadeo e Coutinho durante evento com a Cooperativa Craques de Sempre
Badeco, Andrés, Basilio, Tadeo e Coutinho durante evento
no Parque São Jorge
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Depoimentos de Lula, Neto e Ronaldo

Publicado: março 21, 2014 em Uncategorized

Depoimento de LULA

Já há algum tempo tenho acompanhado o trabalho de Andrés a frente do Corinthians e sem dúvida é uma figura que mudou por completo a vida do Corinthians, o jeito de ser do Corinthians, seu grande mérito é ser um presidente muito ligado a vida do Corinthians, muito ligado a torcida do Corinthians, aos problemas do Corinthians, por tanto sabe como soluciona-los.

Seu mandato na presidência, foi um bem para o clube, foi um pena não ter ganho a Libertadores em sua gestão, e pelas dificuldades econômicas, ter tido de negociar tantos jogadores, enfim não conseguimos, de todas formas penso que o Andrés foi um bem grande para o Corinthians, é um dos poucos presidentes que vive os problemas do clube, dos jogadores, torcedores, um presidente comprometido com o clube.

Gosto muito do Andrés !!!

E sobre o seu futuro no futebol o primeiro é saber o que ele quer fazer, foi um mérito mudar os estatutos do Corinthians e é importante cumprir aquilo que ele mesmo mudou, a alternância no poder pode fazer bem para o clube.Mas é importante que uma figura como o Andrés que conhece o Corinthians por dentro e por fora, um companheiro que batalhou para que o clube finalmente começasse a construir um estádio próprio, que eu como torcedor há 50 anos já ouvia os dirigentes prometerem, é importante que ele esteja comprometido e por perto com alguma atividade na construção para facilitar que se faça isso acontecer e no calendário previsto,

Eu pessoalmente gostaria que Andrés fosse algo assim como um diretor de esportes ou responsável da administração do estádio, algo assim por que ele compreende como ninguém a torcida do Corinthians e sei que se identifica como um torcedor a mais. Eu me considero corintiano por cima de tudo.

Para mim ser corintiano é ser um militante e isso é mais que um torcedor comum que somente vai ao campo quando o time esta bem, quando são jogos importantes e a ponto de uma conquista de campeonato, já um torcedor corintiano é militante e vai nas horas boas e ruins, vai com chuva e vai com sol, vive o time cotidianamente, por isso considero que sou militante de duas causas, a do PT e a do Corinthians.

Fina sintonia
Fina sintonia

Depoimento de NETO

Em minha vida conheci milhares de pessoas, mas tenho poucas a quem realmente posso chamar de amigos e entre eles Andrés é meu maior amigo e demonstrou isso em muitas ocasiões, principalmente quando mais precisei ele estava ali ao meu lado me ajudando sempre que necessário.

Até nos parecemos muito não paramos quietos, às vezes abusamos de palavrões e também ambos temos as mesmas dificuldades em nos expressar corretamente nas regras do português, mas somos facilmente entendidos se bem sei que muita gente tem dificuldades para entender Andrés por sua inteligência e sua rapidez de reflexos.

Acho que deu um tapa de pelúcia em todos esses que não acreditavam do que ele seria capaz, e na hora do vamos ver comprovaram que ele revolucionou por completo a realidade do Corinthians e ao mesmo tempo do clube dos 13, do futebol na TV, e tantas outras coisas que deixam entrever que com certeza chegara longe.

Posso dizer em alto e bom som que amo profundamente Andrés e sua família e sei que esse é um sentimento recíproco, pois em inúmeras vezes ele fez mostras com o bom trato de amizade que supera tudo, ademais nossas famílias também convivem com excelente relacionamento. Se Andrés precisar de algum bem material eu não hesitaria em vender tudo para passar-lhe os valores que necessite e sei que ele faria igual.

Tenho muito orgulho de ter sido uma das pessoas que o introduziu no Corinthians, aproveitou bem a oportunidade e construiu uma admirável carreira no clube, sem fazer mal a ninguém, muito pelo contrario ele ajuda muitos jogadores iniciantes, a jogadores em ativo que passam por dificuldades, ex- jogadores e muitas outras pessoas e sem fazer alarde de nada.

Lembro-me de coisas que vivemos juntos, lembro que lhe dei de presente a camiseta daquele jogo em que marquei um gol memorável contra o Flamengo, lembro quando ele morando no Rio e nasceu seu filho Lucas eu os visitei e em momento de euforia lancei o menino ao ar, imaginem o assombro e enorme susto que passou sua mãe, ainda bem que tenho reflexos de goleiro e agarrei sem dificuldades.

Faz muitos anos que Andrés foi meu companheiro de noitadas e passeios pelo mundo mas também é verdade que ele só me acompanhava depois dos jogos e exigia que eu não saísse e me cuidasse antes de qualquer partida.

No ano 92 recebi dele um aparelho de DVD e eu ainda nem sabia o que era isso, também me deu com muito carinho um pôster que trouxe de Barcelona de uma obra de Salvador Dali chamada Gol e que lamentavelmente ficou na casa da minha ex esposa, é um quadro muito bonito e apropriado que ainda vou tentar recuperar.

Che e o “Gol” de Salvador Dali

Andrés é capaz de lances insólitos, sabia que eu tinha parado de fumar e que isso provocava ansiedade tremenda, de sofrimento e me deu de presente uma caixa de charutos Cohibas, caríssimos vindos de Cuba e orientou como fumar uma vez ao dia sem tragar e me ajudaria a vencer a dependência da nicotina esse gesto demonstrou que além da saúde física se preocupava como afetava minha saúde mental..

Também foi ele quem me deu de presente o titulo de sócio do Corinthians, ele aconselhava a todos os jogadores que se fizessem sócios, já faz dez anos, honrei o presente e pago regularmente ao dia minha cota, se bem dada a situação que durante anos passou o clube, deixei de frequentar até sua chegada a presidência e voltei a participar com muito orgulho.

Na minha profissão jornalística, devo ser independente e algumas vezes manifesto opiniões contrárias a algum ato de sua gestão mas devo reconhecer, mesmo com a plena liberdade que ele tem para me falar, jamais ligou ou manifestou a mais mínima critica que cortasse minha liberdade de expressão, realmente ele é profunda e sinceramente democrático.

Fiquei contente em saber que o Basílio disse que conheceu um pouco mais o Andrés na apresentação do livro sobre minha biografia, onde ficou durante muito tempo em franca conversa com ele, isso é importante pois sei o quanto o Basílio é hoje seu parceiro e o bom trato que ambos tem no cuidado aos ex-jogadores, aos que trata com o maior respeito.

Eu mesmo devo dizer que me deu a maior emoção de minha vida quando me convidou para apresentar o evento do Centenário, mas sei que é assim com todos e criou condições para que os ex atletas frequentem o clube e se sintam em sua casa.

Como presidente ele rompeu os esquemas, esta acima da visão tradicional dos dirigentes de clube, poucas pessoas no meio tem sua inteligência e vê as coisas com suficiente visão além de entender de futebol.

Além do dinamismo que impôs no funcionamento, sei que é o primeiro a chegar ao clube e o ultimo em sair por isso conseguiu criar uma estrutura onde antes não havia nada e criou a semente e as condições que possibilitam que sejamos em um futuro um dos maiores clubes do mundo.

Eu até gostaria que ficasse mais um tempo para fazer ainda mais coisas, devia mudar o estatuto para continuar um pouco mais. Essa sua capacidade de trabalho e entrega sei que vem de família, tudo gente honrada, honesta e de muito suor pela história de trabalho.

Hoje acompanho e admiro como sabe lidar com a imprensa e com jogadores, sei que as vezes vira mau educado e se estressa com a pressão da mídia, não é fácil ser presidente de um time como o Corinthians e estar o tempo todo sorrindo.

Hoje a revolução que provocou no Corinthians, especialmente na receita e no marketing acaba ajudando os outros clubes que com certeza também vendem mais entre seus torcedores pois ninguém quer ficar exageradamente atrás do Timão em sua presença pública e isso fomenta a competitividade sadia entre os clubes e suas torcidas.

Sua verdadeira revolução é a conquista do estádio, também a triunfante parceria com Ronaldo que tão bem fez a ambos e ao clube, multiplicou o numero de sócios, revolucionou o estatuto mesmo que isso aparentemente o prejudique, mas faz tudo olhando o bem do clube.

O bom é que ele continua sendo a mesma pessoa, se bem claro que se somete a sua agenda e nem sempre esta disponível em seu tempo, eu mesmo queria vê-lo mais vezes, porém sei que não consegue devido aos seus muitos compromissos e sua manifesta incapacidade de dizer não.

Outro elemento destacável é sua importância no papel de líder, um presidente sempre presente, sempre nos jogos e esteve também durante toda a Série B e os torcedores que vão ao estádio sabem onde ele fica e sabem que não esta protegido em nenhum camarote de luxo e atua igual nas vitorias e nas derrotas.

Eu fico muito emocionado só de pensar que além do estádio do Parque São Jorge em breve teremos um novo estádio para chamar de nosso e será dos maiores do mundo e pouco importa se vai ou não abrir a Copa o importante é que seja para o Corinthians.

Até acho que Andrés em sua visão já sabe tudo sobre como será o estádio, o preço dos ingressos, nome etc esta na frente de todos e logo logo o pessoal irá vendo como se fazem as coisas, com certeza já fez números e sabe quanto o clube ganhara no estacionamento, nas concessões de serviços etc

Sempre comprovo que ele é um presidente ídolo e isso se pode perceber nas ruas, nos lugares públicos ou até em meu aniversário que nunca deixou de ir, lá esta ele rodeado de gente que foi e é ídolo, como por exemplo eu mesmo, meu amigo Careca e tantos outros.

Porém os familiares e amigos presentes ficam comentando e tentando falar com Andrés, fazer fotos com ele, conseguir um autografo, um presidente ídolo e cujo trabalho é reconhecido e tem torcedores de outros times que admiram e senão fosse a concorrência reconheceriam ainda mais, considero que Andrés poderia facilmente ser eleito para os principais cargos políticos do país.

Acho normal e natural que chore em momentos decisivos para o clube ,como em relação ao estádio o qual por certo ficou na dele mas já sabia as muitas possibilidades de ser escolhido para a Copa, mesmo por que mais que presidente ele é um torcedor.

Também admiro como é facilmente acessível, sei que vai no clube, nos sábados e feriados em chinelo e bermuda falando abertamente com os sócios sem se esconder e como um a mais, assiste os jogos como torcedor e não como presidente do clube e fica disponível para fotos, autógrafos, papos, criticas e discutir se necessário pois sei que ele gosta de defender com paixão seus pontos de vista.

Admiro muito o presidente Andrés, tenho orgulho do dirigente Andrés mas o melhor de tudo é que ele continua o mesmo amigo de sempre meu e de tanta gente com a qual cultiva amizade.

Bem a vontade

Depoimento de RONALDO

Falar do Andrés não é tão simples assim, porque é algo que me emociona demais. Mais do que presidente do Corinthians, ele foi e é um amigo. Um cara que me acolheu em São Paulo, em um time paulista, onde nunca havia pensado em jogar antes.Foi quem abriu as portas e me ajudou a entrar no coração de toda a nação corintiana, o que é um sonho para qualquer jogador do mundo.

A verdade é que o nosso contato foi além dos campos, virou amizade mesmo. Eu respeito muito o profissional competente e a pessoa de caráter que ele é.

Além do mais, nós temos muitas historias juntos, uma convivência que foi sempre muito saudável. Algumas, com certeza, ficarão guardadas para sempre na memoria.

Uma delas é quando fiz meu primeiro gol pelo Timão, no clássico contra o Palmeiras. Ao final do jogo, ele foi pessoalmente no vestiário me cumprimentar e parabenizar pelo gol.

Naquele momento, sem nem pensar, eu disse que aquilo tudo era apenas o início de uma grande caminhada juntos e que ainda iríamos construir o CT e o estádio do Corinthians, que ele ia se tornar o maior presidente da história do clube.

E, pô, dito e feito. O Andrés não está apenas construindo o estádio, como fará a abertura oficial da Copa do Mundo do Brasil nele. É histórico, uma emoção que não cabe em mim. E o mérito é todo dele. Ele fez tudo isso acontecer.

Teve também uma situação atípica que passamos, que, com certeza, marcou muito também. Passamos um baita perrengue depois do jogo contra o Goiás, pela Copa do Brasil.

A Bia, minha mulher, foi ao jogo com a nossa filha Maria Sofia, lá em Goiânia. Na volta acabei dando carona para o presidente e para o seu segurança no meu avião. No meio do voo, a cabine despressurizou e foi aquele sufoco, um susto danado. Máscaras de oxigênio caindo, o piloto dizendo para colocarmos… E no meio de toda essa confusão, o segurança dele, que estava sentado na primeira poltrona, ficou calmamente jogando Tetris durante todo o acontecido, mesmo por quer não podia fazer nada. Depois que o susto passou, foi bem engraçado! Mais uma vez o presidente mostrou que tem coragem.

Mas a melhor história, para mim, foi quando assinamos o meu contrato no Corinthians. Eu estava com meu empresário e com o Luís Paulo Rosenberg, VP de marketing do Corinthians.

Eles estavam discutindo os valores da minha contratação e, quando o Andrés chegou, deixamos os dois conversando e fechamos negócio só nós dois, num guardanapo, em um restaurante de hotel. Decidimos valores, bases, enfim, absolutamente todos os detalhes do contrato em… um guardanapo!

Esse momento só ressalta uma das grandes qualidades e diferenciais do Andrés: a sua honestidade e comprometimento com a palavra. Um cara honrado, que cumpre com o que fala. Foi ali, naquele momento, que começou uma amizade muito forte, uma confiança mútua.

Presidente, tenha a certeza que você sempre terá um amigo aqui ao seu lado e saiba que você sempre será lembrado como o maior presidente que o Corinthians já teve.

Obrigado por tudo, um abraço

Amizade
Pra sempre

Eu no mundo da bola

Publicado: março 20, 2014 em Uncategorized

Um Real Madrid na minha Vila

familia
Com meus pais e irmãos

Pouco tempo após voltar da experiência de dois anos para morar na Espanha meu pai comprou barracas de frutas na feira livre e com ajuda, esforço e suor foi melhorando até que adquiriu uma casa com terreno na Vila dos Remédios e quando fomos conhecer, minha mãe se assustou, já que era quase terreno baldio com cerca de latas velhas e arame farpado com dois cômodos de total rusticidade, mas como os tempos eram muito difíceis meio a contragosto ela aceitou.

Assim deixamos a solidária hospitalidade de meus tios Andrés e Maria na Vila Leopoldina e nos mudamos para essa casa própria, a primeira e única de meus pais, que até os dias de hoje, depois de várias reformas, continua sendo a mesma acolhedora casa familiar que eles habitam na Rua Manuel de Carvalho na Vila dos Remédios.

As barracas de feira de meus pais estavam distribuídas quase por toda a geografia da cidade de Osasco, cada dia da semana era uma rua e ainda hoje sou capaz de citar todas em seu respectivo dia, são tantas histórias, tanta gente que conheci, amizades que nasceram e se consolidaram.

Para quem conhece a cidade cito a relação dos bairros em que tivemos nossabarraca na ordem dos dias da semana começando pela terça feira: Jardim de Abril, Piratininga, Largo de Osasco, Vila dos Remédios, Bela Vista e Helena Maria, em cada lugar uma lembrança, em cada feira trabalho e amizade.

com minando e turma
Com Minando e turma

Eu até gostava de ir porém as vezes me resistia devido ao esforço da carga horária que dificultava me dedicar e render no futebol; já na feira do varejão do Ceasa, mesmo sendo aos domingos, gostava muito de ir, ali era o responsável e levava comigo a turma do bairro.

familia
Com Minando e sua esposa Shirlei

Naquela rua comecei uma relação que teve importancia fundamental na minha vida, a amizade com Minando, três anos mais velho e que já aos 15 anos estudava na Academia de Policia; fomos realmente inseparáveis durante toda a adolescencia ao ponto de que cheguei a pensar passar o exame para entrar na Academia. Outros grandes amigos na Vila foram Edson Mendes, Ismael e Nelsinho.

andrés e dete
Com Dete

Eu sou muito reservado mas minha mãe afirma que fui namorador e ficava sempre na dúvida mas sabia que realmente minha paixão desde quando nos conhecemos pequenos na escola era por Maria Bernadete Gomes, a Dete que me chamava muito a atenção pela beleza de seu rosto e o doce impacto de seus olhos verdes além de ativa participante das brincadeiras, ela é filha de portugueses assim éramos um casal ibérico. Nessa época eu vivia dizendo querer completar 18 anos para me ver livre e ir onde quisesse. Mal sabia eu que a surpresa que teria ao chegar a maioridade era o serviço militar.

Jóia
Porta bandeira do Jóia Rara

Desses doces anos na Vila dos Remédios guardo com muita força as lembranças do bloco carnavalesco Joia Rara situado em um pequeno espaço na rua frente ao Supermercado Castanha na Praça Santa Edwiges. Um ano desfilamos com o tema jogos de azar e havia uma ala dedicada ao futebol, fui de porta bandeira do Flamengo, era a época daquele esquadrão de Zico e Júnior e, por exigência do desfile, vesti a camiseta rubro-negra.Todos os anos o bloco marcava história na hora da concentração no largo em frente à Igreja, nos desfiles pelo bairro e no carnaval de rua na Avenida Tiradentes em São Paulo.Houve uma ocasião, no carnaval de 1980, que o bloco homenageava o palhaço Torresmo e conseguimos vencer, na categoria de blocos o carnaval de São Paulo foi a primeira e única vez que um bloco superou a Gaviões da Fiel, que naquela época a Gaviões também era bloco e a exceção desse venceu 12 dos 13 carnavais em que participou.

zeca e fernando
Samba com Zeca e Fernando

Dias depois membros da diretoria da Gaviões sabedores que o Joia Rara era uma turma de corintianos, veio até nossa sede felicitar pela vitória. Nessa turma destacava também a presença de Dete,seus irmãos Zeca e Fernando com os quais criei uma forte relação de amizade pessoal e cumplicidade esportiva já que de vez em quando íamos juntos assistir aos jogos do Timão.

O meu encontro com o Real Madrid ali nos Remédios foi um choque de realidade guiando meus primeiros passos para entrar no mundo da bola. Tendo a várzea como escola e até como estádio, que melhor presente podia pedir um boleiro como eu obsessivo nessa idade de tantos e tantos sonhos.Por essa razão sempre considerei que cursei uma verdadeira universidade da vida no Real Madrid Club, time da competitiva várzea paulistana situado no centro do bairro, logo depois da ponte da Marginal, na Praça Nossa Senhora dos Remédios numero 4.

Ali vivi experiências únicas que me serviram e orientaram para sempre, tanto como dirigente esportivo, animador cultural e como disciplinado atleta; anos de vivências e aprendizados constantes, circulei por outros clubes, mas sempre tendo o Real Madrid como berço e referencia maior, foi sendo membro do Real Madrid que vivi minha experiência nas categorias de base do Corinthians no ano 1977 tendo os professores Padilán e Joaquim Santos como técnicos e cujas peripécias relatei no livro.

Carterinha do Real Madrid

Ao contrário do que possa parecer o Real Madrid Club não foi criado formalmente para homenagear seu homônimo gigante espanhol e nem mesmo pela colônia espanhola, o clube foi fundado por um brilhante jogador do bairro chamado Aníbal Securi que hoje deve andar pela casa dos 74 anos e que foi um médio de categoria e jogo elegante.

Criou o clube no dia 3 de março de 1963, mesmo ano do meu nascimento, que embora sendo santista não se atreveu a colocar o nome do Santos por ser aquele um bairro quase exclusivamente de corinthianos. Quem ainda guarda as camisas dessa gloriosa etapa é outra lenda viva do time e conhecido pelo apelido de Tostão.

O nome surgiu quase como uma metáfora, naqueles anos uma das grandes rivalidades mundiais eram o Santos de Pelé e o Real Madrid de Di Stefano, pela indiscutível qualidade desse conjunto optou pelo nome da equipe espanhola para indiretamente homenagear o seu Santos o único capaz na época de enfrentar de tu a tu aquele esquadrão.

O clube desde seus primeiros tempos teve vocação para ser uma espécie de seleção do bairro, todo bom jogador que despontava em suas proximidades geográficas, era convocado para vestir sua camisa, nessa função de caça talentos brilhou quem já tinha sido um bom jogador conhecido por Foca que atuava como uma espécie de sensor de craques e os convencia para ir ao Real.

José Angel, é o nome do celebre Foca, ele foi um jogador amador de inegável categoria na posição de médio volante, encerrou sua carreira no ano 1978 e foi com ele que começo minha história no Real, junto com Severo di Ferreira, chamado Tinha e pelos mais próximos sempre apelidado de Baiano, o qual tive como companheiro na maior parte de minha carreira como jogador.

Com Foca a única vez que joguei no time foi em 1980, quando ele já pendurara as chuteiras e participamos de um jogo organizado pelo deputado federal Jose Camargo residente em Osasco, foi um evento especial para comemorar o aniversário da cidade de Bom Jesus de Pirapora, esse dia também joguei ao lado de Tinha como goleiro com a camisa 1 e eu de lateral direito com a camisa 2. Foi ali que Foca percebeu insuficiências em meu estilo de jogo e me instruiu para que mesmo nessa posição defensiva saísse jogando com a bola e com a cabeça levantada para localizar o companheiro melhor posicionado para lançar o time ao ataque. Foi a única vez que jogamos juntos e o Real com uma escalação diferenciada já que nesse mesmo dia o time principal participava da final do campeonato organizado pela Secretaria de Esportes de São Paulo.

Prefeito Francisco Rossi de Osasco entrega medalha de campeões da Copa Primavera pelo Real Madrid

Assim iniciei minha caminhada como jogador de futebol de campo no denominado segundo esquadro do Real Madrid. Entre os jogadores com o qual formei equipe além do goleiro e parceiro Tinha estavam Zé da Bucha, Ronaldão, João Mauricio, Minando, Careca, Messias, Peru, Fernandinho, Florindo e Celsinho, este irmão do famoso ponta esquerda Sidney que se profissionalizou no São Paulo e jogou na seleção brasileira.

O Real não tinha campo próprio e jogava no campo da Portuguesinha onde hoje é um colégio de crianças especiais, também no denominado campo dos Coroinhas que pertencia a Igreja. Era um time popular que invariavelmente levava duas Kombis cheias de torcedores e nos jogos matinais dos domingos reunia sempre mais de 1500 pessoas para ver os clássicos da rivalidade local..

No ano seguinte, em 1981, tendo como presidente Fernando Portela, o Real Madrid se aventurou em um autentico desafio para um time de várzea e comprou os terrenos para a sede própria, porém isso obrigou a uma total economia e inicialmente se decidiu suspender o futebol de campo por ser o de maior despesa.

Nesse momento Tinha com sua loja de sapatos e eu que trabalhava no mercadão, com muitas dificuldades bancamos e mantivemos o time pagando as bolas, reposição de fardamentos, doávamos o que ganhávamos jogando futsal no Água Branca. Praticamente tudo o que recebíamos era para o Real e o time manteve a qualidade, assim pratiquei a função de dirigente tendo pouco mais de 18 anos.

sede real madrid clube
Entrada da sede própria do Real Madrid

Por essa razão, diferentemente da maior parte dos times da várzea paulistana o Real Madrid conseguiu a insólita proeza de construir a própria sede dispondo de um espaço de mais de 1000 metros quadrados com sua quadra de futsal e salão de festas, resistindo firme em uma das áreas de maior valorização e especulação imobiliária.

Em 1985 continuava presidido por Fernando Portela e houve um processo de renovação da diretoria e foi ai que a história deu um novo passo, eu e Tinha assumimos o papel de ativistas cabos eleitorais. Foca que já fora tesoureiro e secretário, era nosso candidato a presidente, foram eleições muito disputadas e na qual se aprendeu para valer, o processo eleitoral era indireto, onde os 200 sócios pagantes escolhiam conselheiros e estes o presidente.

Foi difícil obter a vitória nessa campanha partindo da oposição, com muita mobilização voto a voto Foca conseguiu a presidência, iniciando uma renovação. Em 1987 foi reeleito por 16 votos de diferença e ao final do mandato fez o sucessor Manuel Soares apelidado Chumpitaz por ser parecido com o jogador peruano que depois foi substituído por Tinha que se mantém até hoje.

O clube enfrentava um inimigo maior de aparência abstrata e invencível, porém que tudo ocupava e transformava, era o incessante crescimento da cidade que tudo pretendia comprar e que fazia dos campos da periferia lugar preferencial para a especulação imobiliária e assim ante as dificuldades e escassez de campos começaram a priorizar o futebol de salão.

Além disso, a várzea se transformava e determinadas disputas começavam a ser ligeiramente perigosas já que o pessoal que a integrava ia mudando no mesmo ritmo dos bairros periféricos. Ainda nos lembramos de um dos últimos jogos memoráveis contra a Portuguesinha, time que mesmo auspiciado pela poderosa colônia portuguesa local também acabou por sucumbir e deixar seu campo.

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Wladimir em visita a sede do Real durante eventos dos 40 anos

No futebol de salão, os jogadores conseguiam tempo para jogar em outros times, no Real nunca tiveram bicho ou salário, as vantagens eram a entrada nos animados bailes e de vez em quando cerveja e churrasco para comemorar, os que jogavam em outros times recebiam compensação econômica. Os bons jogadores de várzea andavam com as chuteiras de um lado para outro, sempre na espera de que surgisse algum jogo extra.O clube passou por dificuldades no ano 1992 tendo seus bens econômicos confiscados pelo malogrado Plano Collor, resistiu e superou as penúrias, com o tempo até o futebol de salão ia ficando inviável e as últimas disputas foram em 1995 depois tudo mudou e até os bailes dominicais da juventude se perderam e nasceram os famosos bailes de casais com pessoal mais maduro e em cujos cenários matrimônios se formalizaram.

O Real ainda conseguiu renascer no futebol de salão e participou em fase recente dos campeonatos na mesma categoria do Corinthians, Palmeiras etc. e a quadra do Real entre esses times é chamada de kitnet em alusão a seu tamanho compacto. Nesse período, meu filho Lucas chegou a jogar na categoria fraldão.

Além de outros esportes o Real teve destaque na ginástica olímpica tendo entre seus participantes na função de professora de educação física a conhecida atleta Mariette que depois optou pelo meio artístico e se fez famosa assistente de palco no programa Viva a Noite de Gugu Liberato na SBT, nasceu com ela a assistência de palco e tanto sucesso fez que virou ícone televisivo na época e chegou a ser capa da Playboy.

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Neto escalado como garçom solidário

Hoje, o trabalho do Real e sua gente se destaca muito no campo social. Os padres da Paróquia são sócios honorários e a própria paróquia já foi patrocinadora da equipe. Como clube e paróquia distam poucos metros, o Real tem sido habitual parceiro da igreja em suas campanhas sociais e seus párocos sempre foram fiéis torcedores.

Por outra parte, também as instalações do clube serviram para aulas de informática e se calcula que 15 mil pessoas do bairro tenham freqüentado seus cursos e obtiveram aulas de inclusão digital gratuitas.

Time dos garçons solidários

Em 1998, o pessoal do Real junto com outras pessoas, em uma área próxima onde fora a sede do clube Ilha Verde, fundou uma escola de crianças especiais, hoje assumida pela AMME (Associação Mantenedora de Mães Especiais), atualmente o local desde 2006 virou sede própria e realiza eventos para arrecadar, a entidade esta localizada na Avenida dos Remédios, 1157.No dia 28 de novembro Salão Nobre do Corinthians organizamos um jantar beneficiente com a renda revertida para as ações da AMMES com apoio da agencia Colmeia e de meu amigo Neto que junto com outros jogadores e comigo mesmo fizemos a função de garçons durante o solidário evento.

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Times do master do Corinthians e veteranos do Real Madrid em 2003

Mesmo sendo diretor do Corinthians, conseguia tempo e continuei frequentando o Real inclusive colaborei em um inesquecível jogo comemorativo dos 40 anos do Real em 2003 que disputou com o máster do Corinthians no campo do Espada de Ouro, participaram Zé Maria, Wladimir, Geraldão, Tupãzinho, Marcio e João Paulo, também se fez presente Zenon que ao estar contundido não entrou em campo.Com o mesmo carinho os veteranos do Real fazem um evento anual e tendo em conta a identificação de quase todos eles como parte da fiel corintiana, esta vez o evento foi no restaurante do Corinthians. O grupo é chamado de VVR (Velhinhos Vindos do Real) e ficamos ali até altas horas revivendo, emocionados, histórias de boleiros.

De vez em quando até tentava jogar um pouco com os veteranos, mas o físico já não acompanhava e parei por completo, mas vira e mexe apareço nos eventos do clube ou da paróquia quando se trata de convocatórias beneficentes ou patrimoniais como a recente torre para a igreja participando da chamada solidária do pároco e amigo da família Padre Agostinho.

veteranos
Duas escalações dos veteranos do Real Madrid nas quais fiz parte

O companheiro Foca continua como ativo colaborador nas atividades sociais do clube e Tinha se mantém de presidente clube, é também presidente estadual do PHS – Partido Humanista da Solidariedade -, meu pai quando o encontra pelas ruas do bairro sempre brinca cobrando que devia ser logo eleito vereador, pois foi três vezes candidato.

Uma das dificuldades de somar votos é o problema que os eleitores de uma mesma rua se dividem entre o censo de duas cidades, São Paulo e Osasco, mas ele afirma que seu partido hoje tem acesso aos palácios de governo, dá continuidade a brincadeira dizendo que o Real já subiu comigo a rampa do Planalto acompanhando Lula e com ele também já subiu a Rampa dos Bandeirantes acompanhando os governadores.

Carterinha do Água Branca

Outros times

Em minhas andanças pelo futebol amador entrei como juvenil do futebol de salão e foi a primeira vez que recebi um salário como jogador de futebol e até havia bichos nas vitórias. O time pertencia a empresa Moinho Água Branca, jogava com meu parceiro Tinha no gol e até o filho do dono da empresa o chinês Kim também fazia formava parte.

Chegamos a ser federados e obtivemos um Vice campeonato perdendo a final por 2 a 1 para o Círculo Militar e em outra ocasião obtivemos a terceira colocação, lembro que eu e Tinha sendo desse time chegamos a ser convocados em 1980/81 para a seleção paulista juvenil de futsal.

ilha
Time do Ilha Verde

Também com Tinha joguei futebol de salão no famoso Ilha Verde de Osasco, conquistando vários troféus durante a participação em três campeonatos no Salão da Criança no Anhembi. Ao terminar a etapa do Ilha Verde foi quando nos integramos plenamente no time de futsal do Real Madrid.

Equipe campeã da Copa Gradina
Time campeão da Copa Granadina

Mais adiante ainda tivemos tempo de formar um time na padaria do amigo, vizinho e também jogador Wilson Pele, estabelecimento próximo a casa de meus pais e onde meu irmão Tadeo trabalhou dos 11 aos 14 anos de idade. A padaria ainda existe, isso foi em 1988 e fomos campeões da Copa Gradina de futsal na qual fui artilheiro do time campeão.

Andrés foi artilheiro do time campeão
Recebo a medalha de artilheiro da Copa Granadina

Por aquela época ainda integrei o time da empresa Tajo dedicada a equipamentos de som e com loja na Rua Santa Ifigênia. E em 1989, novamente com Tinha passamos a jogar no time da empresa Newboard de Porto Feliz, do ramo da borracha e fornecedora das grandes montadoras de carros, a cidade dista 100 km da Vila dos Remédios. Eu ia direto de Campinas onde já trabalhava.

O time era muito bom, às vezes brincávamos mais da conta arrumando confusões, como por exemplo, em Pontal perto de Ribeirão Preto, cidade de muitas usinas e plantações de cana, na disputa do campeonato paulista de futsal, ginásio lotado o time ia ganhando e na comemoração de um gol Peru fez algum gesto que rebelou a torcida adversária e no intervalo fomos apedrejados nos vestiários e decidimos não voltar.

Praticamente tivemos de sair correndo da cidade, escoltados e levando muitos golpes no caminho para o carro Monza, que nos esperava e que também recebeu muitas pedradas. Anos depois Tinha voltou à cidade como representante do PHS e comentou o fato com o atual prefeito que confirmou ter conhecimento dos fatos da época.

O bairro de Vila dos Remédios sempre destacou por revelar craques de futebol e entre os muitos uma menção especial para Amadeu, que até hoje mora em um sobrado ao lado da casa dos meus pais, ele é irmão de Nelsinho meu grande amigo da infância, foi ponta esquerda no júnior do Nacional da capital e venceram a Copa São Paulo de 1972 contra o Internacional do jovem Falcão.

Sei que também jogou no Brasil de Pelotas, depois Araçatuba e Noroeste de Bauru onde chegou a jogar ao lado de Jairzinho Furacão campeão com a seleção em 1970 no México. Também jogou futebol de salão com a turma do Real, Espada de Ouro e Água Branca, além de ter sido nosso companheiro no campeonato Inter-padarias, atualmente me informaram que mantém uma escolinha de futebol na Vila dos Remédios.

Outro craque, considerado por todos o maior jogador da região foi Sidney. Começou na categoria dentão da Portuguesinha e do Serva (Sociedade Recreativa Vila Anastácio) e José Poy que fora goleiro do São Paulo que em sua função de olheiro o levou para o São Paulo donde se profissionalizou e chegou a seleção. Todos os irmãos foram muito bons de bola, entre eles Celsinho excelente atacante e que foi meu companheiro no Real.

No Mercadão com a bola toda

Time titular do Rodriguense
Time titular do Rodriguense

Outra feliz experiência como jogador foi no Mercadão onde trabalhei como vendedor na empresa de meu tio Juan chamada Sánchez Distribuidora de Frutas e minha passagem por esse emprego seria incompleta se o onipresente mundo do futebol não fizesse parte, também ali deixei meu nome marcado na categoria de atleta amador, fui convidado por Eduardo Santos Branco, dono do box vizinho, também dedicado ao comércio de frutas.

A associação de permissionários do mercadão organizou um campeonato de futsal no ano 1983 e convidaram os que tinham box na parte externa a que participaram formando um time, as restantes equipes eram formados pelas ruas internas localizadas no mercadão.

Como norma se exigia que todos os times tinham de estar formado por jogadores vinculados aos boxes exceto um por equipe para reforçar e dar mais nível competitivo as disputas, a equipe dos boxes externos se chamou Rodriguense com a camisa amarela e adotaram o mesmo nome de um time amador da cidade de onde procediam os patrocinadores.

O patrocinio era do pessoal do setor de frutas do município de Candido Rodrigues concretamente Alemão, Chacrinha e Eduardo, das empresas Della Vechia e JEI Frutas, todos com postos vizinhos a Distribuidora Sanchez e mesmo que eu já não trabalhara na mesma, pois tinha mudado para Campinas me chamaram para reforçar o time como permitia o regulamento.

E como reforço me esforcei ao máximo junto aos meus companheiros de equipe Dede, Carlinhos, Nenê e também integrou a equipe Ronaldo, apelidado de Pipico que naquela época era motorista em São Paulo e depois viria a trabalhar comigo em Campinas na área de vendas, os jogos se realizavam em horário vespertino nas quadras João Boemerno, ali perto, no bairro do Brás, ganhamos o campeonato.

Os campeões do Rodriguense
Campeões pelo Rodriguense

Eduardo atualmente continua com seus armazéns de frutas na Cantareira, porém simultaneamente virou um próspero fazendeiro com produtiva propriedade no Paraná. Recentemente me relatou um fato curioso pois junto com esposa e filho fizeram uma viagem a Madrid já que sua filha fora diretora do Banco Real e ao ser adquirido pelo Santander foi convocada para uma temporada formativa em Madrid.

Eduardo ante a loja de roupas em Ávila
Eduardo ante a loja em Ávila

Em seus passeios foram conhecer a monumental cidade de Ávila e de repente se encontram com uma loja de roupas chamada Andrés Sanchez, sabiam que isso foi resultado da casualidade já que por lá esse nome e sobrenome são habituais, mas não resistiu à tentação de fazer uma foto frente ao estabelecimento e meu enviou como lembrança.

A fase de Campinas

No livro relatei muitas de minhas vivencias durante os anos que morei em Campinas porém pouco escrevi sobre minha fase campineira de atleta e já desde o inicio o futebol se fez presente, fui diretor e presidente da entidade Assoceasa, o sindicato dos permissionários de boxes, como companheiros de diretoria tinha comigo Paulo Oya hoje vereador pelo PDT de Campinas e que já foi diretor do Guarani, foi presidente do Conselho e pela sua idade e capacidade conciliatória lhe tinha muito respeito, além de ser pai de Nico meu companheiro no futebol, tinha por hábito trazer mel de presente e quando me presenteava, sempre na brincadeira, devolvia dizendo que era diabético e o homem sempre ficava meio na dúvida pois afinal levava comigo o presente, outro de meus grandes amigos foi Roberto apelidado de Boquita e inseparável companheiro no futebol e também minha amiga Nilza Fiuza secretaria da entidade e que junto com sua família muito me ajudou a integrar-me na cidade.

E para completar o panorama da rivalidade campineira também tive um grande amigo vinculado a Ponte Preta, aliás amigo e professor de vida, José Antônio Fernandes da Silva, uma das figuras mais populares do Ceasa de Campinas apelidado Zé Mineiro, proprietário da empresa Cerealista Mineiro cuja localização é tão antiga como o próprio Ceasa, inclusive até melhor que eu descreve com profusão de detalhes minha passagem pela entidade e pela cidade e expõem os fatos com a autoridade de seus 62 anos de uma exemplar trajetória de vida iniciada profissionalmente com seu pai no antigo mercado central de Campinas na rua Benjamim Constant no centro e posteriormente no Ceasa situado na Rodovia Dom Pedro no bairro dos Amarais.

Foi membro fundador da Assoceasa e integrando sua diretoria desde o primeiro dia havendo ocupado vários cargos e representando a entidade no Conselho do Ceasa, destacando também como fundador da entidade a nível nacional. Sempre ativo e organizado, além da boa memória que lhe permite explicar a história oral dos mercados atacadistas, se deu ao trabalho de escrever em folhas de oficio manuscritas suas lembranças de minha passagem por lá, assim é Zé Mineiro uma pessoa minuciosa e detalhista sempre disposto a ajudar quem nos transmite sua opinião em função das muitas vivências que compartimos na década de 80.

“Já naquela época lembro de Andrés por seu potencial em todos os sentidos, persuasivo, trabalhador e sabia bem o que queria, fomos companheiros nas diretorias e ele era firme na luta e defesa dos direitos dos permissionários e dos usuários em geral, sempre disposto a dar a cara e assumir de frente as reivindicações

Ao relembrar misturo nostalgia e orgulho e mesmo com tal diferença de idade, quase 15 anos, sempre tive um trato de completa amizade com Andrés e mesmo com toda sua juventude, muito brincalhão, porém de máxima seriedade quando necessário.

Considero que Andrés é um revolucionário e o admiro muito como administrador de paixões já que não há duvida o Corinthians é uma das maiores paixões dos brasileiros e tem de ter muito pulso e muita firmeza em sua personalidade para conseguir, além disso, ele sempre dizia que ia ser presidente do Corinthians e mereceu mesmo ter logrado esse objetivo que buscou”.

Além de outras funções sociais, Zé Mineiro é presidente da entidade ISA – Instituto de Solidariedade para Programas de Alimentação – fundada em 1994 e uma das primeiras no Brasil na união dos permissionários do Ceasa em combater a fome, são milhões de toneladas de alimentos que regularmente distribuem entre as famílias carentes.

Ainda consegue organizar seu tempo para exercer desde 1996 ou seja há quase 16 anos, como diretor de relações públicas da Ponte Preta, função que nos permite ainda manter contatos esporádicos já que é o responsável por receber as delegações das equipes adversárias quando visitam Campinas.

Sua paixão pelo futebol o levou como torcedor, a exceção da Copa de 2002, a estar presente em todas as Copas desde o ano 1986 no México, no ano 1998 na França sem querer nos encontramos no restaurante da Pizza Pino lugar que virou ponto de encontro da torcida verde amarela em Paris e foi uma festa esse encontro imprevisto. O mais admirável em Zé Mineiro é constatar como conserva sua vitalidade e atitude otimista ante a vida enfrentando sessões de quimioterapia para combater o câncer que lhe foi diagnosticado e que com certeza sua disponibilidade para a vida lhe fará empreender novas iniciativas também para superar esse grave contratempo.

time da Cerealista Mineiro com Neto
Time da empresa Cerealista Mineiro no qual joguei com Neto

E foi no seu time de empresa evidentemente chamado Cerelista Mineiro que joguei por um bom tempo, era tão bom que ficou apelidado de “Os imbatíveis” permanecemos invictos durante um ano. Nessa equipe completava a escalação Neto já meu amigo de Campinas e que depois se consagraria no Corinthians, aliás deve ter sido a única vez em que além de grandes amigos fomos companheiros de um mesmo time de futebol e participávamos até com sacrifício já que habitualmente era as segundas feiras das 21 as 23 horas.Tínhamos uma numerosa torcida composta em sua maioria pela ala feminina e acabávamos os jogos comemorando no bar Chopão no bairro Taquaral em Campinas, badalado e famoso bar por ser o melhor e mais gelado chopp na época e quase sempre havia vitória por comemorar.

Com Neto minha amizade nasceu em um pequeno bar situado em frente ao edifício da casa da rua José Paulino esse pequeno bar era ponto obrigatório para um rápido cafezinho matinal e uma cerveja vespertina, de quando em quando encontrava Neto já que no mesmo edifício morava sua namorada Ana, posteriormente seria sua primeira esposa, e assim fomos criando amizade iniciada no boteco e no trajeto do levador.

com Vinicius
Com Vinicius em feira comercial no Rio

Depois de casado fui trabalhar e morar no Rio, provavelmente ali vivi com minha companheira Dete os melhores anos de minha vida, boa parte deste período convivi com o amigo Vinicius Boller que descrevo no livro, porém no quesito jogador de futebol o máximo compromisso local que assumi foi me inscrever em um clube que organizava peladas aos domingos em Jacarepagua que reunia até trezentas pessoas, quando os times se formavam por ordem de chegada, depois rolava muita cerveja, churrasco e pagode durante todo domingo e vez ou outra eu aparecia por lá.

Também com o pessoal da loja que eu dirigia no Ceasa tive fortes vínculos de amizade com os funcionários, tanto Lula como Geraldinho que viera comigo desde Campinas e além de empregados eram amigos; tinha também o meu vizinho Fernando, comerciante de cocos e os vendedores da loja como Domingo, Geraldo e tantos outros que viraram amigos.

E relacionado com futebol criei forte corrente de amizade com meu concorrente Francisco Monteiro, representante da empresa Polisul e outras no ramo plástico, que coincidentemente tem o mesmo nome do empresário apelidado de Todé promotor do Showbom e que anos depois seria um dos primeiros elos que tive com Ronaldo, ele tinha uma casa em Jaconé cidade da região dos lagos pouco antes de Saquarema e uma vez por outra íamos para um churrasco e como tinham um campinho de futebol fazíamos animadas e concorridas peladas faz pouco tempo fiquei sabendo que esse meu amigo Francisco do setor de plásticos faleceu e lembrei que ele tinha outra particularidade que era sua grande semelhança com o ator e comediante Paulo Silvino.

O  mundo é uma bola

barcelona
Bandeira do Timão me acompanha por Barcelona

No ano 1984 ainda com 20 anos protagonizei uma experiencia de tentar me profissionalizar no futebol. Esse novo desafio teve um cenário internacional concretamente Barcelona, viajei para lá em um voo economico das Linhas Aéreas Paraguaias LAP, lembro até hoje que por incrivel que pareça o avião tinha goteiras o que provocou quase um estado panico entre os passageiros por temos a que fosse chuva vinda diretamente das vizinhas nuvens, não era assim a tripulação esclareceu se tratar de problemas com o ar condicionado o voo ia repleto de gente e os assentos quase não deixavam espaço entre si, pelo nome da companhia LAP até pensei que fosse o roteiro aéreo da minha familiar linha Lapa-Penha tal o aperto em que se viajava.A decisão de viver essa nova tentativa foi em parte provocada pelo meu primo Tadeo que morando na Espanha foi de visita com o amigo Antonio Bermudo que era introduzido no futebol local e viria a ser Secretario de Esportes da cidade de L’Hospitalet, ao ver-me jogar em uma pelada em Campinas gostou de meu dominio da bola e me incentivou, contando com essa boa recepção me animei a tentar a sorte no futebol catalão.

Fui admitido para treinar e fazer testes na equipe do Centre d’Esports de L´Hospitalet presidida pelo construtor David de la Cruz, equipe da segunda divisáo espanhola e que naquela temporada atuava como filial do RCD Espanyol o segundo grande clube de Barcelona, a cidade de L’Hospitalet esta situada na divisa metropolitana de Barcelona.

Lembro-me que além do futebol, aprendi muito por lá, já que o pais estava em um animado momento de transição politica, também assimilei a forte politização da rivalidade entre o Barça e o Real Madrid até pensei que era de agradecer que o futebol tivesse essa forte conotação politica, melhor disputar o território em heróicos 90 minutos em busca do dominio da bola (no caso la pelota) que se enfrentarem em uma nova guerra civil.

Os treinamentos no L´Hospitalet eram intensos e mais ainda com o frio e o calendário teimando em andar devagar pois parecia que nunca chegaria a hora do futebol para valer e sempre seria aquele corre corre sem bola com muito esforço para os exercicios fisicos. Por fim faria uma partida, estava previsto que fosse escalado para um jogo amistoso, porém algo inesperado ocorreu logo na segunda jornada da temporada oficial o sindicato, a Associación de Futbolistas Españoles deflagrou uma greve de jogadores, algo insólito e coerente com o momento politico que vivia o país, não captava muitas das razões da greve mas simpatizei plenamente com o movimento.

Os dias passavam e apressado pela saudade e também por que caminho dos 21 anos há muita pressa em finalizar etapas por isso desisti de continuar fazendo o teste e optando voltar ao Brasil. Antes disso percorri parte da França e Itália, senti a emoção ao ver monumentais obras artisticas e humanas em todo seu percursso e quem não ia se admirar e sentir uma certa vertigem em plena Firenze, senti tudo isso, senti também emoção saber que naqueles dias um outro brasileiro, o também corinthiano Sócrates estava jogando no time local da Fiorentina.

E assim ao completar cinco meses de ausencia e antes que o frio forte viesse com tudo voltei para casa e para o serviço em Campinas, me reintegrei na loja e no futebol campineiro. E continuando com minha dedicação amadora joguei com meus amigos Roberto apelidado Boquita e Nico Oya, futebol de salão no time do tradicional Clube Cultura Artística disputando a Copa Campinas e a Copa Metropolitana da região.

O bom desempenho dessa equipe teve um momento notável no ano 1985 quando a Liga Campineira de Futsal recebeu um convite para formar uma seleção e participar de um campeonato internacional em Portugal. Junto com Nico integrei na posição de ala dessa seleção, já meu amigo Boquita não pode ir pois tinha marcado seu casamento. Assim fazia minha segunda incursão em uma experiência esportiva internacional.

seleção campineira em Lisboa
Com a seleção de Campinas em Lisboa

Foram 15 dias incansáveis em disputados jogos entre Lisboa e Porto, não consigo lembrar dos detalhes e dos adversários mas em um esforço e consultando amigos fui capaz de recordar um a um, todas as pessoas que compuseram aquele time representativo da cidade em tournée por terras lusas e era uma delegação com muitos atletas os quais cito pela ordem de posições: Wagner, Tobias, Catito, Messias, Nangue, Silvio, Alexandre, Andrés, Marcos Toloto,: Nico, Edu e Mazzola e Lauredson como treinador.Por essas coincidências da vida Nico há oito anos, muito antes que eu assumisse a presidência, dispõem da franquia da escolinha Chute Inicial do Corinthians em Campinas com duas unidades e seu irmão Sandro tem igualmente duas unidades da escolinha do Palmeiras.

nico
Com meu amigo Nico situado um degrau acima de mim

Além disso Nico é pai de um filho de 12 anos de nome Fabrício, herdou a bom futebol jogando na posição de meia muito bom de bola e que, depois de aprovar na exigente peneira, joga no sub 13 do Corinthians, E com o pai dedicado, faz o percurso três vezes por semana acompanhado de Nico para os treinos porém este com sua discrição oriental nunca subiu até o quinto andar para me saudar motivo pelo qual desconhecia essa boa noticia que seu filho seja atleta corinthiano.

Andrés e Tadeo em Barcelona
Coautores do livro em Barcelona 84
Administrando a fábrica

Diretor da ABIEF

Na minha ativa fase de diretor da fábrica Sol Embalagens em Caieiras no dia 23 de junho de 2003 assumi uma nova função pública desta vez como dirigente de entidade empresarial, em cerimônia na Amcham (Câmara Americana), tomei posse como diretor adjunto da nova Diretoria da ABIEF – Associação Brasileira das Industrias de Embalagens Flexíveis – sendo presidente Sérgio Haberfeld das industrias Dixie Toga.

Também daquele período lembro-me que um dos galpões de produção da fábrica serviu como cenário onde foram gravadas imagens para o primeiro programa de televisão do PT depois da posse de Lula. Esse programa foi dedicado ao crescimento industrial do país.

Posse da diretoria da ABIEF

Dois anos depois em evento celebrado o dia14 de junho de 2005, desta vez no Hotel Blue Tree Towers Faria Lima, em São Paulo com presença de mais de 160 empresários do setor industrial de plásticos flexíveis, usuários de embalagens e fornecedores de matérias-primas, assim como de máquinas e insumos renovei meu compromisso com a ABIEF integrando sua diretoria para um novo biênio desta vez presidida por Rogério Mani, meu companheiro de trabalho como diretor comercial da Sol.

Para esse novo biênio continuei como diretor adjunto ampliando a função para coordenador setorial da comissão de fabricantes de sacolas plásticas, e nessa épica se iniciaram as primeiras negociações para fixar as normas técnicas da ABNT para o setor de embalagens plásticas e para sso reuniram-se representantes das grandes industrias que mesmo sendo todos duros concorrentes industriais entre si estabelecemos um bom ambiente de trabalho e cooperação, as sacolinhas ainda não eram as injustas vilãs atuais.

E acompanhado por boa parte desse pessoal participamos de feiras nacionais e internacionais. Rogério Mani, diretor atual da indústria EPEMA, conviveu comigo quando foi presidente da ABIEF e também durante muitos anos como companheiro de trabalho e de gestão na Sol Embalagens, por essa razão temos um longo período de convivência e por iniciativa própria Rogério recolheu alguns depoimentos de pessoas do setor plástico, no qual ele mesmo começa dando sua opinião:

“Acho que Andrés na essência aparenta ser brusco, mas não sei de ninguém que tenha brigado com ele pois tem um coração infinito ou seja durão em aparência mas na verdade muito carinhoso, além disso ele é sempre igual em todo lugar seja na TV ou na rua. Também admiro que ele se guie pelo seu conceito de justiça, sempre capaz de retificar se vê que algo esta fazendo errado se desculpa e corrige sem o menor trauma e vai em frente.

Acho que ele só pode ficar doente por duas coisas o cigarro ou pelo Corinthians que é um pouco sua razão de vida, aliás, ele sempre citava como suas paixões na vida além do clube os filhos e a Sol.

Mesmo sendo uma pessoa boa de conversa e trato durante sua permanência na ABIEF e não misturava as coisas e mesmo sempre fazendo proselitismo de seu corinthianismo jamais comentou coisas das interioridades do clube, só falava do que já era público pelos meios de comunicação, do jamais foi indiscreto, mesmo quando as pessoas lhe perguntassem, acho isso uma importante qualidade que ele tem.

Hoje é uma figura pública e das vezes que o encontrei vi o mesmo Andrés de sempre atuando o mesmo de sempre, a única vez que lhe pedi algo relacionado com o Timão foi uma camiseta para Bia, corinthiana roxa e secretária da revista Plástico em revista”; e ele enviou de imediato a camiseta autografada. Todas as pessoas da ABIEF mantém intacto o carinho que sentem por ele.

Seu comportamento com as pessoas, inclusive independentemente de nível social ou cultural, sempre foi o mesmo. Seu temperamento explosivo e sincero é sua marca registrada, fala o que tem que falar para qualquer pessoa e por isto é querido por todos.

Sempre fiel a seus pares, não abandona o barco em hipótese nenhuma, vai até o fim. Sua maior virtude é ter pleno conhecimento de sua capacidade e se permitir estar cercado de pessoas competentes que possam lhe ajudar.

Não nega suas origens e se orgulha disto, é um líder nato. Sempre soube o que quer e lutou muito para que seus sonhos se concretizassem. Sem dúvida é uma pessoa iluminada e acima de tudo de grande coração”.

Rogério, Beni Adler da Nobelplast, Leonidas Alperowitch da Replac, Andrés e Daniel Adler da Nobelplast

E outras pessoas com as quais se relacionou em sua etapa de dirigente empresarial fizeram questão me enviar suas opiniões em torno da convivência com Andrés durante esses anos e aqui transmito os depoimentos:
Alexandrino Alencar, diretor de relações institucionais da ODEBRECHT:

“Ao longo da vida conhecemos pessoas diferenciadas. Geralmente estas são por uma particularidade dos relacionamentos, sejam familiares, profissionais, amigos comuns ou platônico de algum líder.

O Andrés consegue juntar todas essas admirações na sua pessoa, com muita simplicidade e autenticidade.

O seu jeito informal e afetivo traz no fundo uma sofisticação ímpar e o que mais me impressiona é que reconhece seus limites, um dom de humildade, aliás, se orgulha de suas origens. É um líder vencedor.”

Alexandrino Alencar em pé pouco antes da assinatura do pre contrato do estádio

Luiz de Mendonça, presidente da BRASKEM AMÉRICA:

“Conheço o Andrés desde 2002 devido ao negócio de plásticos. Tenho três estórias para contar que sempre me lembro com carinho: Corinthians e São Paulo, final do Campeonato Paulista no Morumbi. Andrés convidou meus filhos André e Bruno, com 9 e 7 anos para entrar no gramado junto com o time. Meus filhos se juntaram aos filhos de Andrés, sumiram por uma porta (confesso que fiquei preocupado em perdê-los) e reapareceram no gramado antes da entrada dos times. A molecada correu para debaixo da Gaviões e começou a “reger” a torcida, que vendo aquela molecada vestida de Corinthians e feliz, quase botou o estádio abaixo.

Eu costumava ir com o Andrés ao Pacaembu quando ele era apenas Conselheiro e depois Diretor de Esportes Terrestres. Ficávamos conversando sobre o time e seus bastidores e ele repetidas vezes me dizia que seria Presidente do Corinthians. Para não perder o amigo, eu não dizia nada, mas naqueles tempos da ditadura do Dualibi pensar que alguém desconhecido como o Andrés poderia chegar à presidência do time era uma coisa impensável

No dia da queda do Corinthians para a 2ª Divisão, o Andrés já era o presidente, porém ele tinha assumido há menos de 2 meses. Me lembro de ter mandado um e-mail de encorajamento para ele que dizia algo mais ou menos assim: “Andrés, o Corinthians está no fundo do poço mas não coloco a culpa em você. Mas a partir de agora, tudo o que for feito de certo ou de errado neste clube tão querido é de sua responsabilidade.

Vamos nessa !”.

Com Luiz de Mendonça no GP Brasil em Interlagos

Marcelo Mancini Stella, Comercial, Logística e Suprimentos ETH BIOENERGIA:

“Conheci o Andrés em 2.002 quando eu era diretor da Braskem e ele era sócio da da Sol Embalagens. Sempre tivemos uma relação de respeito e afinidade e me lembro que desde o início tínhamos calorosos debates “Palmeiras versus Corinthians”.

Admiro o Andrés pelo excelente desempenho que teve como Presidente do Corinthians, conquistado por toda sua habilidade e capacidade de realização, mas, sobretudo porque nunca deixou de ser um torcedor apaixonado durante seus dois mandatos.

Um exemplo a ser seguido. Andrés, parabéns! Fico feliz como amigo, mas nem tanto como palmeirense”.

Ricardo Vivolo, presidente do conselho da indústria EMBRASA:

“Conheço o Andrés ha algum tempo e nosso contato maior sempre foi profissional. Tivemos vários momentos importantes e de longas conversas a respeito do setor plástico, dificuldades, posicionamento perante os fornecedores e mercado.

Como marca registrada posso comentar da sua sempre autenticidade e determinação, fala o que tem que ser dito em qualquer local e para quem quer que seja, indistintamente. Também vale lembrar sua fidelidade como amigo e nos negócios. Conheci poucas pessoas tão leais como ele.

Todo sucesso alcançado é fruto de muito trabalho e dedicação. Sua marca é a sinceridade e humildade.”

Beatriz Helman, diretora da  “Plástico en  Revista” 

“Minha última lembrança do Andrés “ao vivo” é de quando ele ainda atuava no setor plástico. Foi em 2003, quando a Sol Embalagens, ganhou o PPR – Prêmio Plásticos em Revista na categoria sacos e sacolas, e ele compareceu ao evento para receber a premiação. Um predestinado: desde 2003, já era campeão! No setor plástico e na vida”.

Nesse mesmo sentido como pessoa pública recebi alguns reconhecimentos que tenho em elevada consideração entre os quais destaco:

Títulos de cidadão

Uma vez eleito para presidente do Corinthians recebi várias menções institucionais e títulos de cidadão, porém um deles foi concedido bem antes no dia 14 de dezembro de 2006 proposto pelo presidente da Câmara de Caieiras o vereador Paulo Roberto Ózio – Paulão do Sitio – do PSDB, recebi o título de cidadão caierense que foi entregue pessoalmente pelo mesmo no dia 15 de janeiro de 2009 nas dependências do Corinthians.

Com o vereador caieirense Paulão do Sítio

Quase como menção especial destacar também uma visita institucional marcante no dia 19 de fevereiro de 2008 quando recebi na presidência um corintiano roxo de terra santa, o prefeito José Luiz Rodriguez prefeito de Aparecida do Norte que ao saber que sou um devoto da santa me presenteou com a imagem de Nossa Senhora Aparecida e eu retribui com o kit do clube “nunca vou te abandonar”.

Minha simpatia pela santa data de quando eu ainda menino meus pais por várias vezes nos levavam de visita ao Santuário de Nossa Senhora de Aparecida e até os dias de hoje essa imagem recebida continua visível e exposta em casa dando força e energia.

A imagem em casa dando força e energia

Outro valioso reconhecimento pelo meu vínculo pessoal foi o título de cidadão de Osasco no dia 24 de agosto de 2010 entregue na Associação Comercial da cidade sendo proposta pelo vereador Rubinho Bastos do PT; tenho carinho especial por esse título já que fui morador por 10 anos na Vila dos Remédios e sempre eleitor do município.

Com o vereador Rubinho Bastos

E no dia 27 de agosto de 2010 recebi o título de cidadão paulista por iniciativa da vereadora Noemi Nonato do PSB, algumas noites após no inesquecível dia 31 de agosto no Vale do Anhangabaú em plena terça feira com estimativa de 50 mil assistentes, número esse que depois se confirmou em uma massa de 200 mil pessoas que comandadas por Neto dirigiram com perfeição a contagem da virada para o centenário.

Foi nesse evento que Ronaldo recebeu o título de cidadão paulistano e agradeceu proferindo a frase que ficou guardada para sempre na memória do bando de loucos: Não poderia passar por esta vida sem vestir esta camisa. Hoje, sou o homem mais feliz do mundo”, disse o “Fenômeno”, presente na centenária festa do Corinthians”.

Com vereadores na Câmara de SP

Já em 2011 no dia 29 março fui homenageado com uma menção de congratulação da Câmara de Barueri proposta essa do vereador Prof. Agnério do PT e algum tempo depois em 17 de junho recebi o Premio Expressão Regional na cidade de Limeira no salão social do Nosso Clube, o mesmo premio foi outorgado ao jogador Elano e no evento contamos com a presença de Marco Polo Del Nero presidente da FPF.

E pouco antes de finalizar o ano no dia 19 de dezembro de 2011 recebi o título de cidadão de Ferraz de Vasconcelos, município que faz divisa com o extremo da zona leste paulistana, outorgado pela Câmara a proposta do vereador Willians Santos do PSB, conhecido por Willians do Gás.

Com o vereador Willian do Gás e filho

O coração que bate aqui não é de plástico

Esse feliz e criativo logo feito a duo com desenho de José Reis e frase de Márcio Baccan, define bem o que foi o trabalho social desenvolvido durante um longo período no âmbito industrial da empresa Sol Embalagens; no livro comento alguns dos variados projetos desenvolvidos e os compromissos na aplicação da responsabilidade social empresarial participando de entidades como a Fundação Abrinq, Instituto Ethos e o Instituto GIFE.

No desenvolvimento desses projetos contamos com apoios entusiastas de muitos funcionários entre os quais relato três casos concretos de superação:

Capa do livro de André Gabriel

André Gabriel foi o primeiro presidente do Gressol (Grêmio cultural e recreativo dos funcionários da Sol) e participou da gestão das bolsas de estudo, lembro do muito que insisti para que ele mesmo continuasse sua formação, realizou cursos de eletrônica e engenharia da produção, se formou professor e atualmente dá aulas na unidade do CEU do Jardim Paulistano na capital paulista, além disso, é destacado poeta havendo participado em oito livros de coletâneas com outros poetas e recentemente lançou um livro solo chamado “No mínimo isso”.

Também contávamos com os disputados campeonatos internos de futebol que culminavam com a seleção da empresa participando dos campeonatos do SESI. Guimário Bispo Lacerda foi o capitão e coordenador do campeonato, trabalhou 10 anos na empresa e na fase final era líder do setor de Extrusão, atualmente é proprietário de uma pequena fábrica de plástico em Caieiras chamada Plaslac dedicada às embalagens hospitalares; foi outra pessoa que incentivei a continuar seus estudos e se formou técnico em plástico.

Junto com Dete e os noivos Claúdio e Eulália

De minha passagem por Campinas tenho na memória nosso funcionário Cláudio de Oliveira que por cinco anos me acompanhou na loja, atualmente ele e sua esposa Eulália estão completando 23 anos juntos, ainda me lembro do dia em que se casaram, eu e Dete fomos os padrinhos. Cláudio e esposa com esforço e juntando real a real hoje são proprietários de uma das lanchonetes do Ceasa de Campinas.

Cartaz com a Pastoral da Criança

Outra boa lembrança foi a constituição do Instituto Sol, ONG vinculada a empresa, o Instituto teve ampla inserção no mundo da responsabilidade social corporativa, e eu ocupei a função de secretario, foram dezenas de programas de apoio social de todo tipo prioritariamente na área de educação, no livro comento o projeto de doação de 200 cisternas com a Caritas, também queria destacar o seguinte projeto:

Dona Zilda Arns reunida com diretores das industrias plásticas

No ano 2001 na feira Brasilplast no Anhembi em São Paulo, houve um encontro de várias empresas do setor de plásticos com a inesquecível Dona Zilda Arns presidenta da Pastoral da Criança e que solicitou apoio aos projetos sociais, um tempo depois na sede da entidade em Curitiba, representando a empresa, assinei junto com Dona Zilda, o convênio de parceria entre a Sol e a Pastoral pelo qual fabricamos e doamos milhões de colherzinhas de soro caseiro distribuidas pelas equipes de orientação da Pastoral e que por palavras de Dona Zilda foram também enviadas ao Haiti, Bolívia, Angola, Benim etc.

Assinando a parceria com Dona Zilda Arns

Em 2004 o convênio devia ser renovado, as conherzinhas eram fabricadas na empresa Sol Dasla, no município de Feira de Santana no estado da Bahia, acompanhada do Arcebispo Dom Itamar Vian a fundadora da Pastoral foi até lá e renovamos a parceria. Por essas fatídicas casualidades impossíveis de explicar um dos assinantes desse renovado acordo foi Francisco Adolfo Vianna Martins que ocupava a função de diretor geral da fábrica, precisamente seu filho Major Francisco Adolfo Vianna Martins Filho servia no Estado Maior do Exército desempenhando as funções de Observador Militar na Missão da ONU no Haiti –MINUSTAH – vindo a falecer nas instalações da missão em Porto Príncipe vítima do mesmo terremoto que vitimou Dona Zilda. Sirva a presente menção como homenagem de reconhecimento a ambos.

Sacolas com mensagens de apoio á educação familiar

Sacolas com mensagens de apoio á educação familiar

Com a Unicef em 2004 se estabeleceu um convênio pelo qual colaboramos com um trabalho educativo entre as famílias utilizando as sacolas plásticas como elemento de difusão de campanhas de proteção do núcleo familiar com o projeto Família Brasileira Fortalecida; a Sol oferecia a seus clientes, as principais redes de supermercados que em um dos versos das sacola fosse impressas as mensagens educativas, a impressão era feita gratuitamente pela empresa.

Doação da ambulancia a Paróquia Santa Luzia de Limeira

Criamos outro projeto denominado Padaria Solidária, a primeira unidade foi instalada na paróquia de Vila Rosina em Caieiras, outra em parceria com a Associação de Moradores do bairro Novo Horizonte vizinho a fábrica da Sol em Camaçari. E posteriormente atendendo as raízes familiares chegamos até Limeira doando ambulância, equipamentos para a prática de capoeira e padaria comunitária a Paróquia Santa Luzia de Vista Alegre, dirigida pelo saudoso Pe. Mauricio Sebastião Ferreira dedicado a causa social com afrodescendentes, inclusive em 2005, aproveitando um jogo entre o Corinthians e o Internacional de Limeira, mediei a doação de uma camiseta do clube assinada por Tevez leiloada para os projetos sociais.

Professor Fernando Martins e alnos do projeto futesol

Projeto futesol

Em parceria com a Associação Cultural Abolição Capoeira, além de cursos profissionalizantes e de capoeira em Arembepe, se desenvolveu o Projeto FuteSOL para meninos carentes de Arembepe e Água de Meninos em Salvador, foram mais de 500 meninos e meninas que passaram pelas aulas do professor Fernando Martins nas quadras de Arembepe e em Salvador neste caso na quadra cedida na sede da Policia Federal no bairro Água de Meninos.

Tadeo S. Oller como presidente do Instituto Sol recebe

o Prêmio Eco da Ministra Marina Silva

Se pode até pensar que se exagera, mas tudo é facilmente comprovável, muitos dos projetos obtiveram diversos prêmios como o da construção e doação de cisternas que obteve o Prêmio ECO da AMCHAM – Câmara Americana de Comércio Brasil-Estados Unidos -, Prêmio do Desempenho Ambiental da FIEB na Bahia, Prêmio Top Social da Associação Comercial da Bahia e o ECO da CNI – Confederação Nacional da Indústria – entregue em Brasília por Marina Silva, então Ministra do Meio Ambiente.

Em fevereiro de 2008 ao me desligar da Sol também deixei minha função no Instituto Sol, atualmente a unidade industrial de Caieiras foi fechada e com isso o próprio Instituto Sol deixou de funcionar porém seguem muito vivas as lembranças daquela etapa e provavelmente os melhores anos da minha e da vida de muita gente.

Jogos olimpicos em Barcelona ´92

Publicado: março 20, 2014 em Uncategorized

Aproveitando os Jogos Olímpicos de Barcelona em 1992 parti para Espanha com um grupo de oito pessoas, me acompanhava a corajosa Dete viajante com seis meses da gravidez de nosso Lucas, meu amigo carioca Vinícius e sua cunhada Rita que era funcionária da área da Saúde em Angra dos Reis, meus companheiros de trabalho na Sol Embalagens Ismael, Wagner e Túlio, e por fim o talentoso cantor Euclydes Mattos, mestre de violão que lá continua  até hoje.

Meu primeiro impacto positivo aconteceu já no aeroporto quando comprovei como a cidade se transformara para melhor, além disso, foram os primeiros jogos desde o ano 1972 em que superado os duros confrontos políticos da guerra fria todos os países participaram sem nenhum tipo de boicot inclusive a União Soviética em período de reorganização independente de suas repúblicas participou com uma equipe unificada com 12 novos países.

Torcendo com a seleção de volei

 

No campo esportivo nos emocionamos com a equipe masculina de vôlei com Tande, Mauricio, Giovane e outros; também ali entre o multirracial público do Ginásio de Montjuich, fiz questão de manifestar minha torcida com uma bandeira do Corinthians especialmente na até então inédita conquista da medalha de ouro ante a Holanda por 3 a 0.

E em outra modalidade, desta vez no Ginásio de Badalona, estivemos na torcida com a seleção de basquete feminino que pela primeira vez estava presente nos Jogos Olímpicos classificando-se em 7º lugar, nesse time destacavam as atletas “Magic” Paula e Hortênsia que mais tarde seria minha companheira no Conselho do Corinthians..

Por lá estava o “Dream Team” americano comandado por Michael Jordan e Magic Jhonson que por aqueles dias voltava a jogar, estivera com a carreira interrompida durante um ano ao assumir publicamente sua condição de portador do vírus da Aids, Foi também essa a primeira olimpíada em que a seleção americana de basket incorporou suas estrelas da NBA e no jogo contra o Brasil estivemos presentes com todos os ânimos possíveis, mas o “Dream Team” mostrou a que veio e nos impôs um implacável 127 a 83 sem respeitar nosso ídolo Oscar Scmidt.

A seleção brasileira de futebol não se classificou e quem brilhou na conquista do ouro olímpico foi o time da casa a seleção espanhola comandada pelo jovem craque Josep Guardiola. Também me lembro de múltiplos shows culturais inclusive do Olodum na área central aos pés de uma imensa cascata de água no Parc de La Ciutadela.

Mas na música não teve para ninguém ali se imortalizou o tema interpretada pelos três tenores Pavarotti, Carreras e Domingos “Amigos para sempre” que também teve uma dançante versão de rumba e a espetacular interpretação de “Barcelona” nas vozes de  Montserrat Caballe e Freddie Mercury cuja perfeição causava arrepio e emoção até aos não amantes da música.

Churrasco na terra do cava

Ainda teve a viagem na viagem na qual nosso grupo fez uma jornada dominical na cidade de Sant Sadurni d´Anoia, situada na comarca vinícola do Alt Penedes mítica pela qualidade milenar de seus vinhos e cavas, denominação do ótimo espumante catalão feito com o método do champagne. Ali fizemos a perfeita harmonia de misturas culturais com churrasco e caipirinha.

Plaça del Sol, barri de Gràcia

Ao terminar as Olimpíadas fomos a Sevilha, capital da região de Andalucia e que naquele ano instalara a Exposição Universal feita em homenagem à Era dos Descobrimentos, um acontecimento único e que reunia grandes espaços representativos de todos os países, nessa bonita cidade dez anos antes a seleção brasileira jogara a fase inicial na Copa do Mundo.

Também levei o pessoal a conhecer Albox e seu distrito rural Llano de los Olleres, de onde, como já expliquei, procede a rama materna de minha família e onde morei do ano 1973 a 75.

Mesmo chegando sem avisar o tradicional espírito hospitaleiro se fez presente e minha tia Chacha Anita, em pouco tempo nos preparou um apetitoso almoço ao estilo do lugar com guisado de arroz ao caldeiro com carne de coelho e frango, ali o coelho é criado em coelheiras nos quintais das casas cuidado para o engorde e consumido em ocasiões especiais.

Ali também comprovamos como a siesta é algo sagrado, na partida fui me despedir na casa de meu tio Chacho José, porém sua esposa, também chamada tia Chacha Anita, me recebeu com todo o carinho dizendo em tom suave, porém que não admitia réplica, que não podia acordar-lo de jeito nenhum e que me desse por despedido. Argumentei que não sabia quando voltaria por lá, mas não houve diálogo, nada e ninguém iam remover aquela doce e decidida tia em alterar sua sagrada missão de velar para que não interrompessem o sagrado sono vespertino de meu tio.

Calor español

Pais & filhos

Publicado: março 20, 2014 em Uncategorized
Boda de ouro de meus pais

Bodas de ouro de meus pais

Meus pais

Meus pais Seu Gregorio e Dona Pepa são naturais das cidades de Oria e Albox na provincia de Almeria região de Andaluzia no sul da Espanha, nasceram e cresceram a uma distancia menor de 100 km em suas respectivas cidades e vieram se conhecer já adultos no Brasil onde se casaram no ano 1961 em Limeira onde morava minha mãe, porém ao dia seguinte a lua de mel foi de trabalho em Ouro Fino onde meu pai era sócio, junto com o amigo espanhol Fernando, de uma granja agricola e depois de um açougue.

Foram fiéis as tradições da familia e sua primeira filha se chamou Ginesa como a mãe por parte paterna, o seguinte filho fui eu e me colocaram o nome de Andrés como meu avô paterno, a continuação Tadeo homenageando a porção materna e poderia até completar toda a gama com a nova filha, mas em vez de Hermínia como a avó, acabou recebendo o nome de Andréa, sinal de que a familia, mesmo mantendo fortes raizes, em alguns aspectos culturais se integrava plenamente aos hábitos e costumes locais.

Dona Pepa, minha mãe

Minha mãe, dona Pepa, sempre foi dotada de invejável fortaleza física, um dia começou a reclamar de dores de cabeça, pensamos ser coisas da idade e era comum na família esses males, mas de repente dizia que andava com problemas de visão, andou por várias consultas médicas mas o processo era irreversível e continuou com perda parcial até que a vista se foi de vez.

A situação provoca profunda tristeza mesmo conservando intacta sua saúde e até parece ainda mais lúcida reclamando que agora já em idade avançada tenha de aprender a viver de outro jeito e fazer coisas novas, manifesta tristeza ao ter já os filhos criados e não poder acompanhar visualmente o crescimento dos netos.

Igualmente lhe dói por ter sido muito autônoma em sua vida e agora comece a depender de meu pai para quase tudo, propensos a buscar consolo podemos dizer que continua firme, forte e com muito humor. Sei que é uma pessoa admirável mesmo com a vida tão mutante Espanha, Limeira e São Paulo foi capaz de fazer frente e continua com sua infinita força, aliás como todas as pessoas que ficam deficiente em um de seus sentidos os restantes se desenvolvem e multiplicam sua eficiência, minha mãe acho que deu energia para todos os outros sentidos.

Ela nunca foi uma super mãe protetora que anulasse os filhos mas nos surpreendia ao saber de nossas coisas e nos respondia que um passarinho que tudo via e ouvia lhe contava, com seu apurado humor outro dia fui em busca de fotos dela para o livro e com toda a calma e praticidade do mundo disse que distribuíra todas pois ao não enxergar para que vai guardar mesmo que sejam um pedaço único de sua história.

Seu Gregório, meu pai

Em meu pai sempre apreciei sua paciência, a perseverança do esforço para aprender e fazer as coisas. A melhor definição que tenho dele é de “papai sabe tudo” em sua justa medida e que tira de letra os que desconhecem sua sabedoria, além de sempre ter sido um honrado trabalhador.Agora reuniu os filhos e comunicou que não nos preocupássemos mais da conta que ele tinha força e disposição para atender permanentemente minha mãe com tudo o que fosse necessário. Uma vez mais meu pai nos deu exemplo de dedicação solidária e integridade.

Meus irmãos

Com minha irmã Ginesa e o cachorrinho Peque

Minha Irmã mais velha se chama Ginesa que se pronúncia Rinessa, nome em homenagem a minha avó paterna, sendo essa a nossa primeira coincidência, igual a mim, deve ter passado a vida tentando corrigir a pronuncia ou a escrita de seu nome, dado que é de evidente singularidade entre os nomes utilizados no Brasil, no meu caso esclarecendo que terminava em s já que era de origem espanhola.

Pode parecer bobagem, mas quem já passou por isso sabe o que significa em plena sala de aula se levantar e corrigir o professor ao fazer a chamada, a tentação é de deixar pra lá, mas algo no interior obriga a levantar a mão e esclarecer, é como se os antepassados estivessem exigindo e não se pode trair essa demanda ancestral. Um difícil ato de afirmação pessoal que levantava simpatias e animosidades entre os colegas, uns pensando é isso ai tem mesmo de se impor e defender o nome correto e outros pensando que presunçoso quem ele pensa que é para dar tanta importância ao nome.

Vitória, Ginesa, Gabriela e Lara

E ela faz jus a tudo isso, desde pequena, firme e forte em suas convicções, as defendia com valentia, foi a primeira da família a terminar seus estudos universitários, por um tempo trabalhou em São Paulo como funcionária da Varig aproveitando ainda bem jovem para dar a volta a meio mundo depois foi recepcionista promovida a relações públicas no elegante Up & Dow da 9 de julho e posteriormente assistente de eventos na Sala Palladium situada no Shopping Eldorado, mudou de emprego e deu a volta a meio mundo como funcionária da Varig. Ainda com a filha Gabriela em sua mais terna infância mudou de cidade, foi primeiro para Vitória e de lá para Salvador, e continuou exercendo sua independência, em ambas cidades dirigiu lojas de plásticos no Ceasa, pondo a prova sua personalidade pois são âmbitos de forte machismo.

Em Salvador se casou com Cris e anos depois se separou, tiveram duas preciosas filhas Vitoria e Lara. Agora por essas voltas que proporciona a vida e pelas dificuldades de empregos estáveis emigrou com as duas filhas menores para a região de Galicia na Espanha e por lá com certeza adotara novas iniciativas de trabalho e de vida superando as barreiras culturais que encontre em seu novo lugar de residência e por aqui permanece sua filha Gabriela estudando psicologia na PUC de São Paulo.

Fotos para passaporte com meu irmãozinho Tadeo

E se meus avós paternos foram Andrés e Ginesa era tradição que o irmão que me segue fosse um Tadeo ao ser o nome de meu avô materno e assim foi, também ele deve ter tido essa necessidade de se pronunciar logo cedo em sua defesa nominal pois termina em “o” como é regra em castelhano e no Brasil a regra é a terminação em “u”.Nada fácil, pois coincide com São Judas Tadeu o santo das causas impossíveis, sem querer esta família tão chegada historicamente à igreja, protagonizou ao vir ao Brasil uma mudança ortográfica corrigindo o nome de um dos santos mais aliás na religiosidade meu irmão manteve tradição e mesmo não sendo católico abraçou com firmeza a religião espírita sendo seguidor de Alan Kardec, principalmente em sua virtude de fazer o bem sem olhar a quem.

Meu irmão é uma pessoa muito parecida com minha mãe na firmeza de seus atos e se completa com a fração do pai sendo discreto em sua perseverança, sobressai por que anda pela vida abrindo portas para ele e para os que estão ao lado ou vem atrás.

Deborinha, Márcia, Teresa e Tadeo

Desde cedo ganha a vida trabalhando no comércio que é um ramo de forte competitividade e às vezes feroz em seus relacionamentos, mesmo assim ele por onde anda só faz amigos mesmo entre os implacáveis concorrentes, alguns podem até não querer ser amigos mas por mais que insistam é impossível achar motivos para ser inimigos.

Casado com Márcia, uma cunhada muito ativa e também competente trabalhadora e companheira, tendo como filhas a brilhante esportista e estudante, oradora de muito conteúdo e palavra minha sobrinha Deborinha e a filha menor que também com certeza motivos ainda dará para manter a continuidade admirativa a minha pequena Teresa.

Com minha irmã Andréa

Minha irmã caçula já veio ao mundo rompendo moldes, chegou quando a mãe já superava os 40 anos com diferença de 9 anos do filho anterior, ou seja, chegou como quem diz sem avisar e impondo normas pois em vez de Hermínia como a avó materna se chamou Andréa. Essa irmã recuperou o gosto pelos estudos interrompidos pelos homens da família, se formou em fisioterapia e ao mesmo tempo em que exercia no prestigioso e exigente Hospital Albert Einstein dava aulas na Uniban e, deve ter herdado a porção de maga da mãe.

Ainda achava tempo para dar tratamentos em sessões particulares, para seguir estudando e aprimorando e até para namorar e casar; eu sempre tive muita curiosidade por saber onde achava energia para tanto, e se engana quem pensa que se trata de uma pessoa estressada, mesmo com tantos afazeres é um doce no trato e sempre disposta para alguma nova iniciativa.

Digo isso não por que tenha ouvido falar, mas sim por que durante um tempo Andréa viveu comigo e sei como se multiplicava em sua vida diária e ainda achava tempo para colocar ordem em meu desordenado apartamento e ainda me servia de orientadora na hora de comprar presentes por seu refinado bom gosto.

Andréa, Mauricio, Theo e Luiza

Casada com Mauricio, competente doutor ortopédico com consultório também no Hospital A. Einstein, comunicativo e muito espirituoso cujo único defeito é que veio somar a fração palmeirense da família, de resto excelente pessoa, já são pais de dois filhos, pequeninos ainda mas com todo o futuro pela frente, Theo e Luísa.

Mesmo tão pequenos não impedem que seus pais mantenham o bom costume de sair viajando pelo mundo algo que serve de ótimo passatempo e só faz crescer e influir em suas experiências culturais. Também deixo aqui patente meu reconhecimento pelo talentoso mestre cuca que é meu cunhado mantendo assim a tradição da boa cozinha italiana que é de onde ele procede.

Minha companheira

Com Dete

Começo por reconhecer minha incapacidade em organizar meu tempo para esposa e filhos, foram muitas ausências. Assumo até com forte autocrítica e mea culpa em minha exagerada militância para com o Corinthians que consumia tempo livre e até não livre; somados as muitas vezes minha falta de tato e paciência em saber tratar com crianças, o que tentei compensar procurando dar o carinho e presença intensa em horas imprescindíveis.

Minha ex esposa Dete, amiga e companheira de tantos anos e exemplar educadora de nossos filhos, com todos nossos acertos e desacertos são os filhos a nossa razão maior de viver e de lutar sempre por melhores condições para que eles possam usufruir também sem exageros nem ostentações na medida certa e coerentes com suas idades e os meios onde se movem.

Dete foi quase como amor a primeira vista, moleques ainda na escola já houve esse sentimento, foram anos de namoro imperfeito por nossa idade, sempre com altos e baixos, mas sempre presentes, além disso mesmo sendo ela de uma tradicional família portuguesa, o Corinthians, o samba, a identificação com a Vila dos Remédios, a adoção do Rio como nova identidade, tudo isso nos uniu muito e já casados essa unidade teve de se fortalecer pois nada foi fácil na hora de ir abrindo caminhos.

Show da virada com Dete, Lucas e Marina

Meus filhos

No Rio em 1992 nasceu nosso filho a quem com certeza transmitimos essa boa relação com a cidade que em um descuido meu e influenciado pelos inseparáveis amigos Marcus André e Pedro, aos três anos dizia de alto e bom som que era Flamengo, eu até fiquei temeroso, pois sabia da sentença de que uma vez Flamengo sempre Flamengo, isso é verdade e admiro muito, mas também sabia que a força do Timão era imparável e tudo era questão de tempo nessa fase de torcedor mirim.
Anos dourados Lucas e Marcus André
E assim novamente por razões de trabalho viemos de volta a São Paulo e Lucas se desenvolveu como perfeito paulistano sem problemas para com a cidade e suas culturas, e acabou abraçando a causa corinthiana, acho que até com mais força que eu já que foi capaz de se integrar de forma mais consciente pela sua aproximação precoce as emoções de outras bandeiras, sua relação com a aventura e o esporte começou cedo demais, grávida de cinco meses sua mãe me acompanhou aos Jogos Olímpicos de Barcelona e Exposição Universal em Sevilla.
Lucas em ação

Sei que Lucas é muito bom de bola e talvez por temor ao fantasma do nepotismo eu tenha condicionado sua carreira. Lembro até da última vez que o vi jogando durante o navio do centenário quando na parada em Ilhabela houve uma partida com a equipe local e a turma do navio, Lucas destacou e fez belos gols. Mas como todos os garotos de sua idade o grande dilema é era como conseguir compaginar a bola e os estudos. Disseram-me, não sei se somente por me provocar, que Lucas chegou a receber uma proposta para ir treinar no Santos.

Sei que é muito bom menino, camarada e cheio de bons sentimentos e agora sem o horizonte da bola seja lá qual for a sua opção profissional sei que se dará bem por sua inteligência e força de vontade.

Com Marina em sua festa de 5 anos

Minha filha Marina nasceu em São Paulo no ano 1996 e viveu sempre na cidade por isso fica ainda mais fácil sua identificação como paulistana, sendo muito pequenina sei que teve tentação por se fazer torcedora do São Paulo, influencia da excelente babá Gilene que por certo até hoje trabalha com sua mãe sendo de fato uma componente a mais na família, Marina hoje é uma corinthiana de muita paixão quase sempre presente nos jogos, vibra muito, não se cala.

Antes não admitia críticas ao pai e se preciso enfrentava brigas, agora já compreendeu que as críticas fazem parte da democracia e também recebê-las e saber assumi-las é parte da função presidencial.Desde bem pequena Marina já escolherá uma possível profissão para quando fosse maior, tem verdadeira paixão por seguir a carreira de atriz, motivo pelo qual desde os 4 anos de idade participa das aulas de teatro na Casa do Teatro e a cada temporada percebo como se supera já que acompanho as funções que os alunos realizam.

Com Marina
Também com inclinação pelo esporte, Marina é uma exímia jogadora de handebol acho que até em nível de alto rendimento, pena que seja um esporte de minorias, fiquei igualmente sabendo que chegaram a lhe ofereceram ir treinar no São Paulo. Também é excelente capoeirista, e igual que o irmão, tem uma enorme capacidade para se relacionar com as pessoas e fazer muitos amigos, o que por certo não poucas vezes, acho que algo humano e natural, acaba criando a sensação de ciúmes em mim e talvez isso também afaste algum de seus amigos já que, como sempre, aparento ser muito mais bravo do que na realidade sou

Aquecimento para roda de capoeira na Escola da Vila

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Publicado: janeiro 4, 2013 em Uncategorized

Noite de lançamento do livro 03.01.13 na loja Poderoso Timão de Salvador

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